Bush;nega aumento de impostos para financiar reforma da Previdência

Posicionamento do presidente republicano pode implicar em grande avanço do déficit fiscal

O presidente americano George W. Bush afirmou nesta quinta-feira que descarta a possibilidade de elevar tributos para pagar os custos da reforma previdenciária que está propondo. “Não iremos aumentar impostos para resolver esse problema”, disse Bush, segundo The New York Times desta sexta-feira (10/12). Na avaliação do jornal americano, essa foi a admissão mais explícita do presidente reeleito de que pretende financiar os recursos necessários para a transição de sistema – entre 1 trilhão e 2 trilhões de dólares – através de empréstimos.

O modelo proposto pelo governo republicano permite aos trabalhadores aplicarem uma parcela das contribuições sobre seus salários em contas privadas de investimentos. Com isso, o Estado transfere o risco para o trabalhador e reduz um buraco atuarial calculado em 10,4 trilhões de dólares. Os custos de transição seriam gerados pela queda imediata dos impostos sobre folha de pagamento, enquanto as obrigações do governo com os atuais aposentados vão decrescer lentamente.

O posicionamento aparentemente não negociável quanto aos impostos vai deixar Bush em apuros para costurar o apoio no Congresso à revisão da seguridade social. Muitos políticos democratas têm argumentado que os tributos precisam ser elevados para evitar um imenso aumento do déficit. Caso o caminho escolhido pela administração seja mesmo tomar mais dinheiro emprestado, Bush terá de pedir autorização ao Congresso para subir o teto da dívida pública. Uma autorização destas, concedida há menos de um mês, estabeleceu 8,18 trilhões de dólares como novo limite máximo. Isso estica a corda em 800 bilhões de dólares, para uma razão dívida/Produto Interno Bruto de 81%.

Uma outra alternativa seria elevar a idade mínima para concessão de aposentadoria. Nas próximas três décadas o número de aposentados deve crescer 65% enquanto a força de trabalho tende a aumentar 8%. Nesse ritmo, o sistema que hoje é superavitário apresentará um déficit em 2018. Além disso, membros do governo e parlamentares republicanos estão cogitando a possibilidade de excluir os custos de transição dos números oficiais do déficit.

O jornal nova-iorquino também informa que Bush pediu a John Snow, secretário do Tesouro, que permaneça no governo. Os republicanos teriam avaliado que a saída de Snow neste momento daria uma sinal de incerteza para os mercados. A decisão encerra semanas de especulação movida pelos próprios republicanos, que já falavam em nomes para suceder o atual secretário.