Bush deve priorizar o combate ao déficit público

Pesquisa do americano <i>The Wall Street Journal</i> afirma que, para a maioria dos economistas, conter o rombo no orçamento é mais necessário do que reformar a estrutura tributária dos Estados Unidos

Se dependesse dos 55 economistas consultados pelo americano The Wall Street Journal, o presidente George W. Bush, reeleito para mais quatro anos na Casa Branca, combateria, primeiro, o déficit orçamentário de 413 bilhões de dólares, equivalente a 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. O corte de impostos, uma das principais bandeiras de Bush durante a campanha presidencial deste ano, foi considerado pela maioria dos entrevistados pelo jornal como pouco prioritário.

The Wall Street Journal apresentou aos economistas uma lista com oito ações que Bush deveria realizar em seu próximo mandato. Os participantes da pesquisa deveriam colocá-las em ordem decrescente de prioridade. Assim, 24 analistas citaram a redução do déficit como o principal problema. A reforma do sistema previdenciário vem em segundo lugar. O corte de impostos foi citado como prioritário para apenas 17 economistas.

Apesar da grande preocupação com o desequilíbrio do orçamento, os entrevistados percebem que não será possível uma solução imediata para o problema. No curto prazo, o déficit pode manter-se relativamente estável, com possíveis medidas de redução dos gastos sendo prejudicadas pelo aumento dos desembolsos militares no Iraque e no Afeganistão. Na mesma pesquisa, os economistas projetaram um déficit de 3,1% do PIB em 2005 e de 2,5% para 2008.

A dificuldade para equilibrar o orçamento leva alguns economistas, inclusive, a sugerir que Bush adie alguns cortes de impostos prometidos durante a campanha. O objetivo seria evitar a perda de receitas num momento em que os gastos já estão altos.

A reforma da previdência americana também é prioridade para o mercado, mas alguns analistas apontam o risco de que, no curto prazo, ela ajude a aprofundar as dívidas públicas. Isto porque uma das propostas de Bush é permitir que os jovens trabalhadores comecem, desde já, a depositar em fundos privados parte do dinheiro que deveria ir para a conta da previdência pública. Com isso, o governo perderia uma parcela da receita para financiar os trabalhadores já aposentados, no curto prazo.