Bush concentra-se em superar onda de más notícias

A uma semana da eleição presidencial, o presidente George W. Bush, candidato à reeleição, enfrenta notícias negativas dentro e fora dos Estados Unidos

O presidente americano George W. Bush, candidato à reeleição pelo Partido Republicano, entra em sua última semana de campanha tentando evitar que a onda de más notícias internas e externas prejudiquem seu desempenho nas urnas. Pesam contra Bush, na reta final, denúncias de que as tropas americanas permitiram que 380 toneladas de explosivos fossem roubadas por rebeldes no Iraque.

No plano interno, a constante alta do petróleo está encarecendo o preço dos combustíveis e os produtos para calefação, às vésperas do inverno. O dólar apresenta uma nova desvalorização frente ao euro, despertando dúvidas entre os investidores sobre o fôlego da economia americana. E, por fim, falhas no planejamento fizeram com que o estoque de vacinas contra a gripe fosse menor que a demanda, obrigando os idosos a enfrentarem longas filas para receber a vacinação.

O temor dos partidários de Bush é que a onda de más notícias abale a popularidade do presidente a uma semana do pleito, que acontecerá em 2 de novembro. Segundo o The Wall Street Journal, Bush e Kerry estão praticamente empatados.

Para anular essas notícias, a estratégia do presidente americano será a mesma que tem adotado nos últimos meses: desviar a atenção do eleitorado para a ameaça do terrorismo, a fim de questionar a capacidade de seu adversário, o democrata John Kerry, de proteger o país. Na segunda-feira (25/10), Bush mostrou como deve se comportar até o último dia da campanha em uma visita ao estado do Colorado. O candidato republicano mencionou apenas rapidamente as últimas notícias negativas veiculadas pela imprensa e concentrou-se em acusar Kerry de promover o pessimismo e o recuo no Iraque. Segundo Bush, Kerry subestima o poder dos terroristas. “Estamos lidando com assassinos que fazem da morte de americanos a sua razão de viver”, disse Bush.

Segundo o The Wall Street Journal, a estratégia pode dar certo. O principal motivo de Bush ainda estar ombro a ombro com Kerry, apesar do desempenho negativo da economia, é que a maioria dos americanos aprova a atuação do republicano no ataque contra o terror após o 11 de setembro. Pesquisa indicam que os eleitores sentem-se mais seguros com Bush do que com Kerry no comando das tropas no Iraque.

Por isso, o principal desafio de Kerry é conseguir convencer o eleitorado de que está correto em suas críticas contra Bush. A tendência é que o democrata aumente os ataques contra a forma como Bush está administrando a guerra. “Bush tem falhado como comandante-em-chefe”, disse Kerry ontem, durante campanha na Filadélfia.