BRICS manifestam preocupação com espionagem, diz Rússia

Segundo porta-voz do Kremlin, líderes do grupo expressaram preocupação com a suposta espionagem americana e a compararam com terrorismo

São Petersbugo – Os líderes do grupo de países emergentes BRICS, que se reuniram nesta quinta-feira na Rússia, expressaram preocupação com a suposta espionagem feita pelo governo dos Estados Unidos e a compararam com terrorismo, disse um porta-voz do Kremlin.

O porta-voz Dmitry Peskov disse que a preocupação foi levantada durante reunião dos presidentes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, após a publicação de reportagens com base em documentos vazados pelo ex-prestador de serviço de uma agência de espionagem dos Estados Unidos Edward Snowden.

Uma das reportagens, exibida no domingo pelo programa “Fantástico”, da TV Globo, apontou que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) espionou e-mails, telefonemas e mensagens de texto da presidente Dilma Rousseff.

Dilma cancelou a viagem de uma equipe responsável por preparar uma visita de Estado aos EUA agendada para outubro e pode cancelar a própria viagem se não receber um pedido de desculpas do presidente norte-americano, Barack Obama, segundo informou na quarta-feira uma fonte do governo brasileiro à Reuters.

Os membros do BRICS, que se reuniram antes de uma reunião de cúpula do G20, “expressaram uma atitude fortemente negativa sobre … evidências de espionagem contra uma série de países, incluindo membros dos BRICS, e este descontentamento não foi escondido”, disse o porta-voz.

Ele não mencionou especificamente os Estados Unidos, mas afirmou que “tais incidentes de espionagem eletrônica e de intervenção nos assuntos internos foram essencialmente caracterizados como … comparáveis a exibições de terrorismo”.

Peskov não disse quais líderes levantaram a questão da espionagem e não mencionou nenhuma proposta de resposta dos BRICS.

A Rússia frustrou os Estados Unidos ao conceder asilo, no mês passado, a Snowden, que revelou os programas secretos de vigilância do governo dos Estados Unidos e fugiu do país.

O presidente russo, Vladimir Putin, que tem usado o caso de Snowden para retratar a Rússia como protetora dos direitos humanos e rebater as críticas ocidentais ao país nessa área, disse em entrevista publicada na quarta-feira que Snowden pode se sentir na Rússia, pois não será entregue aos EUA.