Brasil quer negociação na Ucrânia e garante cúpula dos Brics

Ministro das Relações Exteriores disse que Brasil deseja solução negociada na Ucrânia e afirmou que o país manterá relações com a Rússia

Paris – O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, disse nesta quarta-feira que o Brasil deseja uma “solução negociada” na Ucrânia e afirmou que o país manterá suas relações com a Rússia, por isso não cancelará a próxima cúpula dos Brics, prevista para ser realizada em Fortaleza logo após o fim da Copa do Mundo.

Durante entrevista coletiva após reunião com o chanceler francês, Laurent Fabius, Figuereido destacou que a situação da Ucrânia é “muito volátil” e defendeu uma negociação que respeite os “valores democráticos e a vontade dos ucranianos”.

Sobre o referendo na Crimeia e a imposição de sanções contra a Rússia, o ministro afirmou apenas que era preciso diálogo.

Mas enquanto o chanceler brasileiro garantiu a realização da cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), Fabius não descartou o cancelamento da reunião do G8 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Rússia), programada para junho em Sochi e cuja preparação foi suspensa.

A decisão será tomada pelos membros do G-7 (todos os países do G8 menos a Rússia) na semana que vem durante uma reunião em Haia (Holanda), na qual também serão analisadas as sanções impostas à Rússia, explicou o ministro francês.

Fabius ressaltou a necessidade de “firmeza e diálogo” para resolver as tensões entre a Ucrânia e a Rússia, e alertou que a anexação da Crimeia pode provocar mais dificuldades no desarmamento nuclear.

Neste sentido, lembrou que a Ucrânia assinou em 1994 o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, no qual, em troca do desarmamento, sua integridade territorial seria protegida por três países: Estados Unidos, Reino Unido e Rússia.

“Uma parte do território da Ucrânia foi anexada por um país que era fiador de sua integridade”, disse Fabius, para quem este caso pode incitar países que dispõem de armas nucleares a mantê-las e estados que não as possuem a produzi-las.