Brasil e Rússia assinam acordo sobre armas

O texto prevê a possibilidade de transferência de tecnologia bélica russa para que empresas estratégicas brasileiras participem da produção das armas

Brasília – O Brasil e a Rússia assinaram nesta quarta-feira uma declaração de intenção para a possível aquisição por parte das Forças Armadas brasileiras de pelo menos cinco baterias de mísseis antiaéreos russos, assim como para o desenvolvimento conjunto de novos equipamentos bélicos.

O documento foi assinado por representantes dos ministérios de Defesa de ambos os países em uma cerimônia em Brasília liderada pelo vice-presidente Michel Temer e pelo primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, que realizou hoje uma visita oficial ao país.

O texto prevê a possibilidade de transferência de tecnologia bélica russa para que empresas estratégicas brasileiras participem da produção das armas, assim como em processos conjuntos de desenvolvimento de equipamentos militares.

A transferência de tecnologia é uma das condições que o Brasil impõe para a aquisição de produtos de defesa. O Brasil já manifestou interesse em comprar cinco baterias de mísseis antiaéreos russos, três do tipo Pantsir-S1 e duas do modelo Igla, segundo admitiu recentemente o general José Carlos de Nardi, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

A Rússia se mostrou disposta a transferir a tecnologia mas a compra ainda depende da negociação de preços. Segundo fontes do mercado militar, cada uma dessas baterias, com veículos auxiliares e armamento completo (mísseis terra-ar e canhões de 30 milímetros), tem um custo calculado de US$ 35 milhões.

No documento, os dois países apontam o segmento de defesa antiaérea como prioritário para os investimentos e os projetos de desenvolvimento conjunto.


O acordo assinado é fruto do Plano de Ação de Associação Estratégica Brasil-Rússia, um acordo de cooperação assinado por ambos os países durante uma visita que a presidente Dilma Rousseff fez a Moscou em dezembro do ano passado, e que dá ênfase ao setor de defesa.

De acordo com o Ministério da Defesa, a modernização do sistema de defesa antiaéreo é necessária para garantir a segurança dos grandes eventos que o país organizará nos próximos anos, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

O sistema de defesa antiaérea que o Brasil dispõe foi adquirido há mais de 30 anos e não inclui sistemas de artilharia de médio alcance, ou seja, com capacidade de atingir alvos a até 15 quilômetros de altitude.

O Pantsir-S1 tem capacidade de médio alcance e pode chegar a alvos localizados entre três e 15 quilômetros, enquanto o Igla é de baixo alcance.