Brasil avançou pouco no combate à corrupção, diz relatório

No topo da tabela, Dinamarca, Nova Zelândia e Finlândia aparecem como os países mais virtuosos e com menor percepção da corrupção

Berlim – Um relatório anual da ONG Transparência Internacional publicado nesta quarta-feira indica que o Brasil aparece em 69º lugar no ranking do combate à corrupção, destacando que os avanços neste sentido foram tímidos no país.

No outro lado da tabela, Dinamarca, Nova Zelândia e Finlândia aparecem como os países mais virtuosos e com menor percepção da corrupção.

O ranking da Transparência Internacional avalia 175 países através de opiniões de especialistas, como os do Banco Mundial, e estabelece uma pontuação que vai de 0 a a 100. Quanto mais próximo o país avaliado estiver dos 100 pontos, menos corrupto será.

Entre os países pesquisados, o Brasil passou da 72ª para a 69ª posição, mas com uma pontuação que pouco variou, de 42 para 43 pontos, um movimento considerado insignificante e motivado por escândalos como o do Mensalão e o mais recente, envolvendo a Petrobras.

No ranking, o Brasil está empatado com Bulgária, Grécia e Itália. Na América do Sul, o país está à frente da vizinha Argentina e da Venezuela. O Sudão, a Coreia do Norte e a Somália aparecem como os mais corruptos.

A Transparência aponta para o recente escândalo da Petrobras no Brasil, “onde os funcionários corruptos e seus comparsas do setor privado desviaram bilhões de dólares da maior empresa do país para os cofres de partidos políticos e para mãos privadas”.

Segundo a ONG, a corrupção se agrava na China, na Turquia e outros países em crescimento.

“Também são observados graves problemas de corrupção e lavagem de dinheiros nos demais países dos Brics”, afirma a Transparência em referência ao grupo das potências emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Cultura da impunidade

“Quando líderes e altos funcionários abusam de seu poder para usar fundos públicos em benefício próprio, o crescimento econômico se vê minado e os esforços para impedir a corrupção são frustrados”, ressaltou José Ugaz, presidente da Transparência Internacional.

“Os funcionários corruptos desviam ativos de origem duvidosa para outras jurisdições usando companhias offshore com total impunidade”, segundo Ugaz.

“Os países nas posições inferiores devem adotar medidas drásticas contra a corrupção e a favor da população. Os países nas melhores posições do índice deveriam se assegurar de não exportar práticas corruptas para os países em desenvolvimento”.

Entre os países latino-americanos, o mais resistente à corrupção é o Uruguai, que ocupa a posição 21. O mais corrupto é a Venezuela, empatada com o Haiti.

A corrupção está presente em todas as economias, destaca o relatório. Mais de dois terços dos países avaliados registram resultados inferiores a 50.

“Quase todos os escândalos bancários relacionados com a lavagem de dinheiro não acontecem apenas nas ilhas paraísos fiscais, mas também dizem respeito a fundos de investimentos duvidosos, corruptos, que existem em lugares como Londres, Nova York ou Frankfurt”, segundo Robin Hodess, diretor de pesquisas da organização.