Brasil adia definição de metas para Copenhague

A única proposta que obteve consenso dentro do governo brasileiro é o de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020

*O governo adiou para o dia 14 de novembro a definição da proposta que o Brasil vai levar para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece em dezembro em Copenhague. Na conferência podem ser definidas metas mundiais para a redução das emissões de CO2 como forma de conter o aquecimento global.

O Brasil quer mais tempo para detalhar as medidas que serão tomadas por setores como agricultura e siderurgia para redução de emissões nacionais de gases de efeito estufa. Até o momento, a única proposta consensual é a redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020.

Pelos cálculos do governo, com a redução do desmatamento da Amazônia, o Brasil deixaria de emitir cerca de 580 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. “É igual a todo o esforço americano se a lei deles passar no Senado”, comparou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O controle do desmatamento nesse patamar seria suficiente para baixar os níveis de emissões nacionais em cerca de 20%. Para chegar ao número final, o governo vai calcular qual será a redução possível em outros setores. A soma das outras medidas deve ficar entre 17% e 20%.

“Vamos tomar medidas nas áreas de energia, agropecuária, siderurgia e desmatamento em outros biomas”, disse a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Com a soma de esforços vamos chegar a um número significativo. O Brasil está disposto ao maior esforço possível para que a reunião de Copenhague seja bem sucedida”, afirmou.

Para Dilma, a proposta que será anunciada em alguns dias não necessariamente trará os números de redução de emissões em cada setor. “Serão linhas gerais. Não vamos apresentar os números, vamos apresentar as medidas. Até porque estamos fazendo de forma voluntária, porque achamos que é importante que o Brasil preserve suas características de país sustentável.”

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, não descarta o número proposto por sua pasta de redução de 40% das emissões até 2020, considerando um crescimento econômico de 4% ao ano. “Nada está descartado nem definido.”

Segundo Minc, na reunião de hoje foram apresentadas opções considerando cenários de crescimento da economia de 5% e 6% ao ano – um pedido da ministra Dilma.

Parte das ações a serem adotadas pelo governo brasileiro vai depender de recursos internacionais, principalmente no combate ao desmatamento da Amazônia. O financiamento é justamente um dos pontos que andam travando a negociação do novo acordo climático global.

De acordo com o ministro Celso Amorim, o Banco Mundial estima que sejam necessários pelo menos 400 bilhões de dólares por ano para que os países em desenvolvimento enfrentem as mudanças climáticas. Até agora, a única proposta na mesa, da União Europeia, fala em recursos na ordem de US$ 140 bilhões.

*Com informações da Agência Brasil