Brahimi diz que ação militar na Síria precisa de aval da ONU

O mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, afirmou que qualquer intervenção militar neste país necessita da autorização da ONU

Genebra – O mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, afirmou nesta quarta-feira que qualquer intervenção militar neste país necessita da autorização do Conselho de Segurança da ONU.

“O direito internacional é claro em relação a isto e diz que uma ação militar deve ser empreendida depois de uma decisão do Conselho de Segurança”, disse Brahimi em uma coletiva de imprensa ao se referir sobre uma possível ação militar dos Estados Unidos e seus aliados ocidentais na Síria.

Brahimi, que há um ano é o enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, admitiu que agora é incapaz de assegurar se haverá uma conferência de paz, chamada Genebra 2, para tentar solucionar a guerra civil no país árabe.

O mediador afirmou, no entanto, que o governo dos Estados Unidos garantiu estar comprometido com seus esforços diplomáticos para chegar a esse objetivo, da mesma forma que a Rússia.

“Estive falando com as duas partes (EUA e Rússia) e eles me disseram que seguem interessados e comprometidos com Genebra 2”, mas “os eventos de 21 de agosto terão um efeito sobre como chegar” a esse fórum de negociação, comentou.

Brahimi, que desde o princípio do mês trabalha com sua equipe em Genebra para encontrar uma solução política ao conflito sírio, reconheceu que há “um antes e um depois” do ataque do dia 21 de agosto contra civis nos arredores de Damasco, no qual existem múltiplas evidências do uso de armas químicas.

Uma ação militar externa contra o regime de Bashar al-Assad indubitavelmente também terá um impacto sobre o processo diplomático, reconheceu o mediador, sem poder antecipar se o bloqueará definitivamente ou, pelo contrário, o acelerará.

Sobre o ataque, Brahimi disse que a “substância” utilizada causou a morte de “300, 600, talvez 1.000 ou mais pessoas”, uma ação que classificou de “horrenda” e “inaceitável”.

O ataque em uma zona na qual viviam civis “confirma quão perigosa é a situação na Síria e a importância de avançar realmente na vontade política para resolver este assunto”, ponderou.