Bolívia assumirá controle total sobre petróleo e gás amanhã

Nesta quarta-feira, entram em vigor os novos contratos com as multinacionais do setor

A Bolívia consolidará amanhã (2/5) a nacionalização do setor de hidrocarbonetos, que foi anunciada há um ano. O governo boliviano assumirá o controle da produção e comercialização de gás e petróleo bruto que na última década estiveram nas mãos de transnacionais, informou nesta terça-feira a estatal YPFB.

Às 6 horas de amanhã, horário local (7 horas no horário de Brasília), entram em vigência todos os novos contratos firmados pelo governo de Evo Morales e as gigantes do setor petrolífero, como a brasileira Petrobras, a espanhola Repsol-YPF, a francesa Total e a britânica British. “A partir daí… o Estado boliviano, por meio da YPFB, ficará responsável por toda a produção que existe na Bolívia, tanto de gás natural como de petróleo, além da comercialização (desses produtos). Amanhã será uma data histórica”, disse o presidente da YPFB, Guillermo Aruquipa, à rádio Erbol.

A nacionalização do petróleo é a principal medida econômica dos primeiros 15 meses do governo de Morales, que também empreendeu processos de recuperação do controle estatal sobre a mineração e as telecomunicações.

Venezuela

O anúncio do governo boliviano segue ao do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que assumiu o controle dos poços petrolíferos da faixa do rio Orinoco que ainda estavam nas mãos de empresas estrangeiras. A medida faz parte de um plano de nacionalizações iniciado em janeiro que inclui, ainda, os setores de telecomunicações e energia, além da invasão de terras, do controle de frigoríficos e a regulamentação do serviço médico privado. Dez das 13 empresas que operam na Faixa de Orinoco assinaram na semana passada acordos com a PDVSA.

A partir de hoje a companhia estatal de petróleo PDVSA controlará no mínimo 60% das ações de quatro empresas mistas formadas por multinacionais: a francesa Total, a norueguesa Statoil (Sincor), as americanas Chevron Texaco (Ameriven) e Exxon Móbil, British Petroleum e a alemana Veba Oel (Cerro Negro). O ministro de Energia e Petróleo da Venezuela, Rafael Ramírez, disse no fim de semana que as empresas da Faixa, estimadas em mais de US$ 25 bilhões, vão incorporar “a batalha de todas as empresas do Estados, empenhados em construir o socialismo do século 21”.

Com informações de agências internacionais.