Boko Haram degola e assassina cem civis no norte de Camarões

O ataque dos jihadistas contra Fotokol foi uma represália pela tomada da cidade vizinha nigeriana de Gamboru por integrantes da operação militar

Nairóbi – O grupo terrorista jihadista Boko Haram degolou e assassinou pelo menos cem civis na cidade de Fotokol, em Camarões, localizada no extremo norte do país e na fronteira com a Nigéria, em meio à operação militar conjunta na região lançada por tropas do Chade e camaronesas, segundo informaram nesta quinta-feira meios de comunicação locais.

O ataque dos jihadistas contra Fotokol foi uma represália pela tomada da cidade vizinha nigeriana de Gamboru pelos integrantes da operação militar, que mataram 250 supostos membros da milícia radical após dois dias de combates na fronteira.

Esta é a primeira grande ofensiva regional contra o Boko Haram, que até agora tinha concentrado seus ataques no norte da Nigéria (sobretudo nos estados de Borno, Yobe e Adamawa), onde já matou milhares de pessoas e fez centenas de reféns nos últimos anos.

Os terroristas atacaram e incendiaram ontem mesquitas e casas em Fotokol, onde degolaram e assassinaram cerca de cem pessoas, segundo organismos locais denunciaram ao jornal camaronês “L’Oeil du Sahel”.

“O Boko Haram entrou em Fotokol de manhã e matou mais de cem pessoas na mesquita e em suas casas”, disse um porta-voz da localidade, que perdeu um de seus filhos no ataque.

Os governos de Camarões e Chade confirmaram a morte de mais de 250 militantes do Boko Haram nos dois últimos dias, de acordo com o jornal nigeriano “The Guardian”.

No ataque extremista a Fotokol morreram pelo menos 50 membros do Boko Haram, e Camarões perdeu seis soldados, confirmou o ministro camaronês de Informação, Issa Tchiroma.

A televisão pública do Chade disse ontem que o exército do país havia “aniquilado completamente” as bases do Boko Haram em Gamboru e Ngala, ambas no norte da Nigéria, após matar 200 radicais na terça-feira.

O exército chadiano teria perdido nove soldados durante os enfrentamentos em solo nigeriano.

A União Africana (UA) autorizou na semana passada uma força regional de 7.500 soldados para combater os militantes, que lutam há cinco anos para estabelecer um estado islâmico no norte da Nigéria.

O Chade, que conta com um dos contingentes militares mais poderosos da região, realizou ataques aéreos contra posições insurgentes nos últimos dias.

A ex-colônia francesa também está enviando aviões de sua base, na capital do Chade, em missão de vigilância ao longo de sua fronteira com a Nigéria.

Diante da realização no dia 14 de fevereiro de eleições presidenciais na Nigéria, os jihadistas intensificaram sua campanha de terror no nordeste do país e na área fronteira.