Boicote à publicidade em mercados argentinos gera polêmica

As autoridades negaram a denúncia de editores de jornais argentinos que acusam o governo de proibir supermercados de publicarem avisos publicitários nos jornais

Buenos Aires – Os editores de jornais da Argentina denunciaram nesta sexta-feira ser alvo de um “boicote” por parte do Governo, ao qual acusaram de proibir os supermercados de publicarem avisos publicitários nos jornais, algo que foi negado pelas autoridades.

A Associação de Editores de Diários de Buenos Aires (Aedba) publicou nesta sexta-feira uma solicitação na qual tacha de “atropelo” as supostas “pressões” do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, às redes de supermercados para que “se abstenham de publicar avisos publicitários” nos meios de imprensa.

Para a entidade, se trata de um “flagrante caso de censura prévia, um vergonhoso boicote orquestrado pelo Estado nacional em evidente represália contra quem informa de maneira independente sobre os índices de inflação e outros aspectos da economia real”.

Nos periódicos de Buenos Aires foram publicados hoje avisos com ofertas dos supermercados Coto, mas não de outras redes, como costumam fazê-lo, em particular por volta do fim de semana.

A suposta proibição, denunciada pela imprensa local, aconteceu depois que a Secretaria de Comércio Interior acertou dias atrás com as redes de supermercados e as lojas de venda de eletrodomésticos o congelamento dos preços de bens até o dia 1º de abril.

O porta-voz da câmara Argentina de Supermercados e a Federação Argentina de Supermercados e Autosserviços, Fernando Aguirre, assegurou que as entidades não receberam “nenhum tipo de indicação” por parte da Secretaria de Comércio Interior a respeito da publicidade dos supermercados.

A subsecretária de Defesa do Consumidor, María Lucila Colombo, disse que a suposta proibição é “uma invenção” de certos meios.


A funcionária negou, além disso, que exista desabastecimento de certos produtos básicos, tal como publicou a imprensa local, situação que também foi negada por Aguirre.

As estatísticas oficiais de inflação foram fortemente questionadas na Argentina desde janeiro de 2007, quando foram feitas mudanças metodológicas na medição.

Segundo os dados oficiais, os preços ao consumidor subiram no ano passado 10,8%, enquanto para consultores privados a alta real foi de 25,6%.

De acordo com o Orçamento de 2013, os preços ao consumidor subirão este ano 11,2%, embora para consultoras privadas a “inflação real” será de entre 20% e 30%.