Bird recomenda que a América Latina invista mais na área rural

Estudo do Banco Mundial mostra que o impacto do crescimento do setor agrícola sobre a economia da região é duas vezes maior do que se supunha

O Brasil teve, no ano passado, um exemplo prático das descobertas de um estudo publicado nesta terça-feira (15/2) pelo Banco Mundial (Bird). O forte crescimento do setor agrícola, ao lado das exportações, foi o principal responsável pela expansão de cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para o Bird, isso se deve ao forte peso da agricultura sobre a economia dos países latino-americanos. O impacto do crescimento desse setor sobre o PIB da região é duas vezes maior do que se supunha.

Por isso, o estudo do Bird afirma que a América Latina e o Caribe precisam investir mais e melhor na área rural. “A contribuição do campo para o desenvolvimento da região é maior do que se acredita geralmente”, afirma Guillermo Perry, economista do Bird e coordenador da pesquisa. De acordo com Perry, a expansão da atividade agrícola tem impactos diretos sobre a redução da pobreza e o crescimento dos países latino-americanos.

A principal descoberta do estudo, de acordo com o banco, é a magnitude dessas relações. O setor agrícola responde por 12% do PIB da região. Se a proporção entre a expansão do PIB e da agricultura fosse de um para um, cada ponto percentual de aumento do PIB rural significaria um aumento de 0,12 ponto percentual no PIB latino-americano. Mas o incremento, de acordo com o Bird, é de 0,22 ponto percentual o que indica o efeito multiplicador da atividade rural na região. Além disso, o Bird verificou que, para cada ponto percentual de expansão da agricultura, a renda das famílias mais pobres cresce 0,28 ponto percentual.

Apesar de sua importância, o campo não está merecendo a devida atenção pelos países da região. “Muitas nações da região estão falhando na elaboração de políticas públicas adequadas para a área rural”, diz Perry.

A necessidade de implementar as ações corretas aumenta, quando se constata que cerca de 42% da população latino-americana ainda vive no campo, de acordo com o Bird. A descoberta contraria os dados oficiais dos países da região, que indicam um alto grau de urbanização da economia, com apenas 24% dos habitantes vivendo no meio rural. De acordo com Perry, isso significa que os problemas ligados ao campo estão sendo subestimados pela América Latina. Segundo o estudo do Bird, cerca de 37% dos 65 milhões de pobres da região vivem no campo.

Entre as medidas recomendadas pelo Bird, está a de se repensar as políticas para os pequenos produtores rurais. De acordo com a instituição, as pequenas propriedades rurais são incapazes de competir no mercado mundial, mesmo com a revisão dos subsídios agrícolas dos países desenvolvidos. Por isso, o Bird recomenda que sejam criados programas que combinem, temporariamente, transferência de renda com apoio técnico e melhor acesso ao crédito para as famílias.