Biodetectores de explosivos, novidade da indústria de Israel

Com uma simples mala portátil que combina computador, telefone e conexões por satélite, o oficial expõe aos visitantes como qualquer chefe de polícia

Tel Aviv – Biodetectores de explosivos, cercas cada vez mais inteligentes, interceptores de comunicações e programas de análise de risco são algumas das inovações que a indústria israelense expõe na Conferência de Segurança Interior (HLS), no qual o tema principal parece ser a “integração de sistemas”.

“Desde que foi rompida a barreira da informação eletrônica e das comunicações, a essência dos novos sistemas é a integração: integração de dispositivos, integração de informação. Tudo o que for possível para aumentar a segurança”, assegurou à Agência Efe Sharon Melamed, engenheiro eletrônico do Serviço Israelense de Prisões.

Com uma simples mala portátil que combina computador, telefone e conexões por satélite, o oficial expõe aos visitantes como qualquer chefe de polícia pode supervisionar o que ocorre nas instalações e áreas sob sua responsabilidade de qualquer lugar do mundo.

Um sistema de fabricação própria, com versões parecidas com todos os serviços de segurança e emergência israelenses, com a passagem do tempo vão se acoplando as novas tecnologias.

Mais de 60 empresas privadas e órgãos públicos israelenses expõem em Tel Aviv suas últimas inovações em uma feira que acompanha a II Conferência de Segurança Interior de Israel, da qual participam centenas de especialistas e 60 delegações oficiais de todo o mundo.

Convocada pelo Instituto de Exportações de Israel e o Ministério de Segurança Interior, a HLS se transformou, em apenas dois anos, em uma amostra do decisivo apoio que o setor privado da segurança israelense recebe de seu governo.

Tudo para vender os constantes desenvolvimentos de uma indústria que se tornou, na última década, na quarta exportadora de sistemas de defesa e segurança do mundo, com mais de US$ 7 bilhões anuais, 75% a mais do que há seis anos.

A HLS, dedicada exclusivamente à segurança interior e na qual desde segunda-feira os participantes debatem sobre assuntos tão banais como “Polícia e Comunidade” e tão complexos como “Ciberterrorismo”, expõe a crescente conexão entre a indústria de defesa e a da segurança desde os atentados de 11 de setembro de 2001.


“Hoje, através das comunicações e da internet, é possível provocar um dano de alcance nacional maior que o de uma guerra”, comentou a um cliente potencial um especialista em intercepção de telecomunicações.

Os transportes coletivos – que pararam com os atentados de Nova York (2001), Madrid (2004) e Londres (2005) – são alvos vulneráveis, por isso a HLS dedica muitos de seus produtos a eles.

Neste campo, os detectores de metais tradicionais deram lugar a tecnologias para a detecção de circuitos de condutores (necessário, por exemplo, para fazer disparar um explosivo escondido num sapato), à detecção de partículas químicas suspeitas e, mais recentemente, à “biodetecção”, a invenção mais revolucionária da feira.

Produzido pela empresa BioExplorers, do conhecido grupo Tamar, o “Gate System” recorre ao eficaz olfato dos roedores para detectar explosivos.

“O sistema se baseia no princípio de “alerta”, ou seja, que o animal aprenda a reagir e se proteger dos perigos potenciais”, explicou Alva, um de seus dois inventores, diante de um laboratório de adestramento e o protótipo de um estreito túnel de vento.

Uma corrente de ar que emana desde orifícios na parede esquerda é absorvida pela da direita, transferindo o “aroma” da pessoa que passa por ele a oito roedores que reagem de uma ou outra forma.

Em apenas dez segundos, a tela do dispositivo dará sinal verde ao passageiro ou fará soar os alarmes.

“Sua eficácia é superior a 99%, é rápido e adaptável a qualquer produto que o cliente peça, não somente explosivos”, acrescenta Alva, que durante anos trabalhou no adestramento de animais no Ministério da Defesa.

Mas, além de encorajar as exportações israelenses, outro dos objetivos da conferência é servir de ponte para cooperação internacional e para os especialistas.

“A cooperação internacional nos traz muitos benefícios, desde a troca de informação a projetos P&D com outros países”, disse à Agência Efe Eliezer Rozenbaum, subdiretor-general do Ministério de Segurança Interior israelense.