Bersani quer devolver o bem-estar social à Itália

O líder da coalizão de centro-esquerda italiana está empenhado em ressuscitar as medidas sociais prejudicadas pela política de austeridade imposta por Mario Monti

Roma – O líder da coalizão de centro-esquerda italiana, Pier Luigi Bersani, alcançou a vitória por poucos décimos nas eleições legislativas ocorridas no domingo e nesta segunda-feira na Itália com o compromisso de devolver as políticas sociais ao país.

Bersani, de 61 anos, está empenhado em ressuscitar as medidas sociais prejudicadas pela política de austeridade imposta pelo Governo de Mario Monti sem abandonar o caminho da recuperação econômica e do crescimento.

Nessas eleições, o secretário-geral do Partido Democrata (PD) se transformou na alternativa frente à “Era Berlusconi” e para isso concorreu também com o primeiro-ministro demissionário, Mario Monti, que em seus 13 meses de Governo conseguiu um alento econômico, mas ficou apenas como a quarta força nesse pleito.

Procedente do Partido Comunista Italiano, Bersani é casado e tem duas filhas.

Nessas eleições, se apresentou como o candidato que seria capaz de dar um novo rumo à Itália e acabar assim com a “confusão” e a “opacidade” que, segundo sua opinião, foram provocadas pela direita italiana mediante suas promessas nos últimos dez anos.

Bersani defende o “ajuste da Itália” a partir da “transparência” e da “colaboração”, valores que quis evidenciar ao anunciar eleições primárias no seio da centro-esquerda, nas quais derrotou no segundo turno o jovem prefeito de Florença, Matteo Renzi.

Após sua contundente vitória, Bersani, consciente da necessidade de captar os votos destinados ao seu oponente, estendeu a mão a Renzi, representante da ala mais liberal da centro-esquerda.

O líder da centro-esquerda também não mantém as portas fechadas a uma possível aliança com a coalizão de centro que é liderada por Monti, se esta conseguir votação suficiente, apesar de Bersani ter deixado claro que o vencedor das eleições será o novo primeiro-ministro.


No entanto, as bases da dita coalizão pós-eleitoral se apresentam difusas, já que Bersani anunciou que não está disposto a desmanchar a aliança que mantém com o líder da Esquerda, Ecologia e Liberdade, Nichi Vendola, com quem Monti expressou “incompatibilidade política”.

Com uma longa experiência mas reprovado por muitos devido à sua falta de carisma, Bersani não duvidou em enfrentar o Governo técnico em questões primordiais em sua política, como a reforma trabalhista, chegando a ameaçar retirar seu apoio se fossem modificados certos aspectos dela.

O homem que presidiu a região da Emilia Romagna entre 1993 e 1996 e cuja presença midiática ficou eclipsada pela batalha travada por Monti e Berlusconi, enfrenta o desafio de construir uma força que conquiste a confiança dos eleitores desencantados com as medidas de austeridade do Governo técnico.

Bersani ocupou os ministérios da Indústria, Transporte e Desenvolvimento Econômico e em seu programa figuram propostas como a criação de um sistema fiscal que recaia sobre os grandes patrimônios financeiros e imobiliários para diminuir a pressão sobre os trabalhadores e as empresas.

O líder do PD, que enfrentará uma taxa de desemprego que já supera 11%, também pretende levar a cabo políticas fiscais que incentivem a ocupação feminina e recuperar a “credibilidade das instituições” em um país manchado pela corrupção em diversas regiões.

Filho de trabalhadores e formado em Filosofia, Bersani participou ativamente do processo de renovação da esquerda italiana com a fundação do PD, nascido da fusão dos Democratas de Esquerda (ex-comunistas) e do Margarida (centro) em outubro de 2007. EFE