Barack Obama conquista um segundo mandato histórico

Desde a grande crise de 1929, nenhum presidente dos Estados Unidos tinha sido reeleito com uma taxa de desemprego acima de 7,2% (7,9% atualmente)

Washington – Barack Obama venceu claramente a eleição presidencial dos Estados Unidos contra o republicano Mitt Romney ao conquistar, aos 51 anos, um segundo mandato histórico à frente da maior potência mundial, mesmo enfrentando uma crise social e econômica sem precedentes desde os anos 1930.

O primeiro presidente negro dos Estados Unidos chegou ao poder há quatro anos com slogans de “esperança” e “mudança” e conseguiu convencer seus compatriotas de que estava em melhor posição para guiar o país por mais quatro anos.

Entretanto, desde a grande crise de 1929, nenhum presidente dos Estados Unidos tinha sido reeleito com uma taxa de desemprego acima de 7,2% (7,9% atualmente). Apenas um democrata, Bill Clinton, governou por dois mandatos completos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, tendo deixado o país em excelente situação econômica e financeira.

Após um ano e meio de uma campanha que custou bilhões de dólares, dezenas de milhares de quilômetros percorridos e de mãos entrelaçadas, milhões de americanos fizeram sua escolha entre dois candidatos que, em essência, pouco prometeram e optaram por renovar sua confiança em Obama.

“Isto aconteceu graças a vocês. Obrigado”, escreveu o presidente terça-feira à noite, anunciando sua vitória no Twitter pouco antes das 22h15 (02h15 no horário de Brasília) em Chicago. “Estamos juntos nisto. Fizemos assim na campanha e é como somos”, acrescentou.

“Nesta eleição, vocês, o povo americano, nos lembraram que, se a estrada é difícil, se a viagem é longa, nós devemos erguer a cabeça”, afirmou em seu discurso da vitória em um grande palco montado no Centro de Convenções McCormick Place, seu quartel-general na última noite da campanha, sob os aplausos da platéia em delírio.

“Nós sabemos em nossos corações que, para os Estados Unidos, o melhor ainda está por vir”, acrescentou ele, ao lado de sua esposa, Michelle, e suas duas filhas, Sasha e Malia.


Mais cedo, um enorme clamor tomou conta da mesma multidão em McCormik quando a televisão anunciou o triunfo. A música “Respect”, de Aretha Franklin, virou a trilha sonora do triunfo democrata.

Em Washington, milhares de pessoas convergiram para a Casa Branca, alguns dançando no teto de seus carros e cantando “mais quatro anos!”.

Na Times Square, em Nova York, exclamações de alegria explodiram de milhares de gargantas para saudar a vitória do atual presidente, apesar do frio. O Empire States se iluminou de azul, a cor democrata, para marcar o momento. A multidão comemorou até muito tarde, aos gritos de: “Obama, Obama”, enquanto carros buzinavam.

“Oh meu Deus, eu estou tão feliz!”, declarou Jill Zaggo, uma atriz da Broadway.

Mark Schneider, 52 anos, estava mais sóbrio. “A campanha foi muito estressante”, comentou. “O país está muito dividido. Eu sou de Massachusetts, eu vi o que Romney fez como governador. Ele teria feito muito mal ao país. Mas tudo dependerá do que o Congresso desejar fazer, não será fácil”, acrescentou.

A poucos metros, quatro amigos do movimento Occupy Wall street também comemoravam. “Nós queremos uma mudança real”, gritavam repetidamente.

Séria em meio à multidão, uma voluntária da Cruz Vermelha instalou um pequeno cartaz: ela estava lá para arrecadar fundos para as vítimas do furacão Sandy.

No mundo todo, os principais parceiros dos Estados Unidos, cada um com suas próprias prioridades, felicitam o presidente Barack Obama por sua reeleição, incluindo a China, que apelou para uma “cooperação construtiva” e a Rússia, que pediu “iniciativas positivas”. A Alemanha, assim como a França, convidou o país a se concentrar com a Europa para superar a crise econômica.


Obama conquistou estados-chave suficientes para acabar com as esperanças de Romney, em uma corrida que se resumiu, como esperado, a uma disputa acirrada nas regiões cruciais percorridas pelos dois candidatos por meses.

Em uma eleição organizada por sufrágio universal indireto, o vencedor é aquele que conquista ao menos 270 votos dos “representantes” dos 538 do Colégio Eleitoral. Obama assegurou seu posto às 00h30 ao vencer pelo menos 290.

Obama venceu em uma maioria esmagadora de estados-chave, entre eles New Hampshire (nordeste), Pensilvânia (leste), Michigan (norte), Colorado e Nevada (oeste), Wisconsin (norte) e, especialmente, Ohio (norte), o “Santo Graal”, de acordo com as estimativas da televisão americana.

Esta vitória de Obama foi, contudo, mais estreita do que em 2008, quando disputou com John McCain. Romney também venceu estados que foram conquistados há quatro anos pelos democratas, incluindo Carolina do Norte (sudeste) e Indiana (centro).

A multidão reunida no McCormick Place, dançando ao ritmo de música animada e agitando bandeiras americanas, não pôde competir com as mais de 240.000 pessoas que ouviram o primeiro discurso do presidente eleito, Barack Obama, quatro anos antes, em um grande parque urbano localizado mais ao norte.

Em Boston, no quartel-general de Romney, um pesado silêncio caiu sobre a platéia.

Romney, um ex-empresário de capital de risco bilionário com 65 anos, concentrou sua campannha na crítica ao balanço econômico do presidente Obama, colocando-se como um defensor da classe média.

Mesmo com a legitimidade de sua reeleição, as promessas de Obama correm o risco de serem travadas no poderoso Congresso, que caminhava para uma paralisação na noite de terça-feira. Possível reação a esta perspectiva, o dólar caiu em relação ao euro nesta quarta-feira ao meio-dia em Tóquio após a reeleição de Obama.

Os republicanos conseguiram manter o controle da Câmara de Representantes, completamente renovada, enquanto os democratas devem manter o controle do Senado, depois de vencer várias cadeiras emblemáticas.

Terça-feira, os eleitores também se pronunciaram sobre mais de 170 referendos locais. A Flórida manteve o financiamento público para o aborto, enquanto Colorado legalizou a maconha para fins recreativos.