Bancos britânicos vão indenizar clientes enganados

Bancos desistiram de brigar na justiça e resolveram pagar indenizações para milhares de clientes; valor total pode chegar a quase US$ 15 bilhões

Londres – Os bancos britânicos admitiram nesta segunda-feira terem enganado centenas de milhares de clientes, impondo a compra de seguros ligados ao crédito, e afirmaram estarem dispostos a pagar bilhões de libras em indenizações.

Após anos de batalha judicial, a Associação de Bancos Britânicos jogou a toalha, desistindo de recorrer de uma recente decisão da Alta Corte de Londres contra ela.

Segundo diversas estimativas, o custo para o setor bancário deve ficar entre 6 e 9 bilhões de libras (9,765 – 14,65 bilhões de dólares), o que será um recorde para um litígio deste tipo.

Os bancos tentam assim virar a página de um escândalo que não estava ajudando a reputação do setor, já totalmente impopular entre os britânicos após a crise financeira e a revelação dos bônus astronômicos pagos a seus dirigentes e funcionários.

Os seguros afetados são os chamados Product Payment Insurance (PPI), vendidos automaticamente com alguns créditos, especialmente hipotecários, para garantir riscos como o desemprego e doenças.

Mas as denúncias se multiplicaram, porque os PPI eram impostos também a pessoas que já estavam desempregadas ou doentes – portanto, inelegíveis. Com estes seguros, foram vendidos também mais de um milhão de cartões de crédito a pessoas que acreditavam que isto facilitaria a obtenção de crédito.

A Autoridade Reguladora de Serviços Financeiros (FSA) também destacou que as seguradoras independentes propunham os mesmos seguros, mas a preços significativamente inferiores.

Segundo as autoridades, mais de três milhões de pessoas adquiriram seguros PPI, que geraram mais de 1,5 milhão de denúncias desde 2005 – cifra que deve aumentar, agora que os bancos admitiram sua culpa.

Os bancos perderam no mês passado um recurso na Corte de Londres contra a nova regulamentação das vendas de PPI estabelecidas dois anos atrás pela FSA, que também os obrigou a compensar os clientes prejudicados.

Embora reste ainda uma possibilidade de apelar da sentença, o Lloyds Banking Group (LBG), maior banco varejista do país, surpreendeu os juízes do caso na semana passada ao anunciar unilateralmente que decidira indenizar seus clientes. Para isto, dedicará 3,2 bilhões de libras.

Nesta segunda-feira, Barclays e HSBC anunciaram sua decisão de fazer o mesmo, reservando para isto 1 e 3 bilhões de libras, respectivamente. O quarto maior banco do país, o Royal Bank of Scotland, anunciou por sua vez que seguirá a decisão de seus concorrentes, mas não revelou quanto pagará aos clientes lesados.