Banco Mundial critica proposta de restringir importações chinesas

Para a instituição, americanos e europeus são "desleais e hipócritas" ao propor maiores tarifas de importação

O Banco Mundial afirmou, nesta quarta-feira (29/6), que a proposta dos Estados Unidos e da Europa de limitar as importações de artigos chineses é “desleal e hipócrita”. De acordo com Peter Stephens, representante da instituição na Ásia, “a elevação das tarifas e a restrição ao livre comércio são a pior resposta neste momento”.

Americanos e europeus vêm se queixando de que sua indústria têxtil foi prejudicada pelo avanço das importações chineses, desde o fim do Acordo Têxtil e de Vestuário (AVT), que vigorou até o último dia de 2004 e regulava o comércio internacional desses artigos. Durante 40 anos, o sistema de cotas evitou que os países fossem inundados por mercadorias mais baratas de concorrentes como os asiáticos.

Segundo Washington, as importações chinesas devem crescer 7,5% neste ano. Baseados nessa estimativa, parte dos políticos americanos defendem a imposição de uma tarifa de 27,5% sobre a entrada de têxteis da China. Em paralelo, a União Européia negociou um acordo com os chineses no início de junho, pelo qual o país aceitou conter o crescimento das exportações de dez categorias de produtos a taxas anuais de 8% a 12,5% até 2007, segundo o americano The Wall Street Journal.

De acordo com Stephens, do Banco Mundial, restringir o escoamento de artigos chineses apenas deslocará a produção de mercadorias baratas para outros países em desenvolvimento, como os latino-americanos e outros asiáticos. “Conter a emergência das exportações da China e da Índia com medidas antiquadas, como a proteção tarifária, é como tentar conter a maré com um pequeno muro de areia”, afirma. Para o representante do Banco Mundial, americanos e europeus deveriam buscar um maior diálogo com a China para resolver seus impasses comerciais.