Bagdá exige US$ 1 bilhão dos EUA por danos da guerra

Prefeitura da capital iraquiana diz que exército americano transformou uma '"uma cidade bonita em um campo militar"

Bagdá – A prefeitura de Bagdá exige desculpas e uma indenização de 1 bilhão de dólares do Exército americano, acusando essa força, que liderou a invasão do Iraque para tirar Saddam Hussein do poder, de “transformar uma cidade bonita em um campo militar”.

Em um comunicado publicado em seu site na quarta-feira, a prefeitura citou danos à cidade causados pela construção de muros de concreto, vistos por toda a capital iraquiana, e pelo uso de veículos militares Humvee.

“A prefeitura de Bagdá exige dos Estados Unidos indenização estimada em 1 bilhão de dólares como resultado dos danos à infraestrutura e um pedido de desculpas à população de Bagdá”, disse o comunicado.

“Qualquer pessoa pode reconhecer o que as forças americanas fizeram em Bagdá, transformando esta cidade linda em um campo militar e destruindo ruas e comunidades”, acrescentou.

O comunicado informa ainda que os danos foram provocados por “erros do exército americano e sua negligência em relação a projetos concluídos pela prefeitura” nos últimos anos.

Muros de concreto são vistos por toda Bagdá, com o objetivo de proteger ministérios e a zona verde, de segurança máxima. Os veículos Humvees, agora usados pelo exército irauquiano e pela polícia, frequentemente provocam buracos no asfalto das ruas e avenidas.

Nesta quinta-feira, o jornal The Guardian publicou a informação de que o ex-secretário de Estado americano Colin Powell pediu que CIA e o Pentágono explicassem por que enviaram informações duvidosas que serviram de motivação para a invasão do Iraque.

Em seu discurso feito às Nações Unidas em 5 de fevereiro de 2003, Powell citou informações da inteligência – vazadas por um espião iraquiano apelidado de “Curveball” – sobre um suposto programa de bioarmas do líder iraquiano Saddam Hussein.

Mas o espião agora admitiu ter mentido para derrubar o ditador, em uma entrevista ao Guardian.

“Foi sabido por muitos anos que a fonte chamada Curveball não era totalmente confiável”, disse Powell ao jornal britânico.

“Essa questão deveria ser levantada para a CIA e para o DIA (Agência de Inteligência de Defesa), sobre por que isso não foi sabido antes de a informação falsa ter sido enviada ao Congresso, ao discurso do presidente ao Estado da União e à minha apresentação de 5 de fevereiro na ONU”.

O espião, cujo nome real é Rafid Ahmed Alwan al-Janabi, disse ao Guardian ter mentido ao serviço secreto alemão, o BND, ao afirmar em 2000 que o Iraque tinha caminhões de armas biológicas e que tinha construído fábricas clandestinas.

Durante o discurso de Powell, Janabi foi descrito como um “engenheiro químico iraquiano” que “supervisionou uma dessas instalações”.

“Ele estava presente durante a produção de agentes biológicos e também estava no local quando um acidente ocorreu em 1998”, disse Powell à ONU.

Janabi foi desmascarado como uma fonte duvidosa quando o BND visitou Bassil Latif, seu ex-chefe na Comissão Militar e da Indústria no Iraque, que negou a existência de caminhões ou quaisquer instalações do tipo.

No entanto, o BND continuou cooperando com o engenheiro químico, e os depoimentos falsos foram transmitidos a políticos americanos pelos serviços secretos.

O conflito resultou na morte de mais de 100.000 civis, abalando a carreira política do então presidente George W. Bush e seu secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.