Autoridades confirmam 222 mortos e 843 feridos por tsunami na Indonésia

Tsunami se formou a partir de um deslizamento de terra submarino produzido pela erupção do vulcão Anak Krakatau

Bangcoc – Pelo menos 222 pessoas morreram, 843 ficaram feridas e 28 continuam desaparecidas devido ao tsunami que atingiu o litoral do estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra, na Indonésia, segundo informou neste domingo a Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB).

Centenas de edifícios foram danificados pela onda gigante às 21h30 locais (12h30 de Brasília) de sábado.

As ondas, segundo relatos, chegaram a quatro e cinco metros de altura. O chefe do Departamento de Emergência da Agência de Gerenciamento de Desastres no distrito de Pandeglang, Endang Permana, afirmou que muitas vítimas foram atingidas no momento em que assistiam o que ocorria no mar.

Imagens publicadas no Twitter mostram carros arrastados pelo tsunami. Os distritos mais atingidos foram de Pandeglang, Seran e Lampung Selatan. Só na região de Pandeglang há 624 feridos.

Imagens dramáticas publicadas em redes sociais mostram o momento durante a apresentação de uma banda pop indonésia chamada Seventeen sob uma tenda em uma praia popular para funcionários de uma companhia estatal de energia elétrica quando o palco é subitamente arremessado, junto com os membros do grupo e os seus equipamentos, para cima da plateia.

Os integrantes da banda correm desesperados do palco, enquanto a onda chega aos espectadores. Em uma mensagem no Instragram, o vocalista do grupo, Riefian Fajarsyah, anunciou, sem conter as lágrimas, as mortes do baixista e do empresário que organizava a turnê, assim como o desaparecimento de outros dois músicos, um técnico e de sua esposa.

Reação

Autoridades alertaram moradores e turistas nas áreas costeiras ao redor do Estreito de Sunda para ficarem longe das praias e um aviso de maré alta deve permanecer até 25 de dezembro.

“Aqueles que evacuaram, por favor, não retornem ainda”, disse Rahmat Triyono, funcionário da Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica (BMKG).

O presidente Joko Widodo, que concorrerá à reeleição em abril, disse no Twitter que “ordenou a todas as agências governamentais relevantes que imediatamente adotem medidas de resposta à emergência, encontrem vítimas e cuidem dos feridos”.

O vice-presidente Jusuf Kalla disse em entrevista coletiva que o número de mortos “provavelmente aumentará”.

Origem

As autoridades acreditam que o tsunami se formou a partir de um deslizamento de terra submarino produzido pela erupção do vulcão Anak Krakatau, que não ativou os alarmes por não ter ocorrido um terremoto.

O Centro Indonésio de Vulcanologia e de Gestão de Riscos Geológicos informou que o Anak Krakatoa mostrava sinais de atividade intensa há uma semana. Um pouco antes das 16h00 aconteceu uma erupção de 13 minutos, que provocou uma coluna de cinzas de centenas de metros.

Anak Krakatoa é uma pequena ilha vulcânica que surgiu no oceano meio século depois da letal erupção do vulcão Krakatoa em 1883. É um dos 127 vulcões ativos da Indonésia.

Naquela ocasião, uma coluna de cinzas, pedra e fumaça foi expelida a mais de 20 km de altura, o que deixou a região no escuro e provocou um grande tsunami, com repercussões em todo o mundo. A catástrofe deixou mais de 36.000 mortos.

A Indonésia, uma das áreas mais propensas a sofrer catástrofes no planeta, fica no Círculo de Fogo do Pacífico, onde se encontram placas tectônicas e que registra grande parte das erupções vulcânicas e terremotos do planeta.

O país sofre com frequência terremotos violentos, o mais recente deles na cidade de Palu, na ilha Célebes, onde milhares de pessoas morreram vítimas de um tremor e posterior tsunami.

Em 2004, um tsunami provocado por um terremoto no fundo do mar de 9,3 graus de magnitude, na costa de Sumatra, Indonésia, provocou a morte de 220.000 pessoas em vários países do Oceano Índico, 168.000 delas na Indonésia.

*Com informações da Xinhua, agência pública de notícias da China, e NHK, emissora pública de televisão do Japão