Autor do atentado na Bulgária é sueco de origem argelina

A imprensa búlgara também reproduziu imagens do suspeito poucos minutos antes do atentado realizado dentro do terminal do aeroporto de Burgas

Sofia – Com auxílio de especialistas israelenses e americanos, a polícia búlgara deu continuidade nesta quinta-feira às investigações do atentado cometido ontem contra um grupo de turistas israelenses, que, segundo um jornal local, teria sido articulado por um sueco de origem argelina.

A imprensa búlgara também reproduziu imagens do suspeito poucos minutos antes do atentado realizado dentro do terminal do aeroporto de Burgas, cidade situada no litoral do Mar Negro, o qual resultou na morte de cinco israelenses e do motorista búlgaro.

Trata-se de um homem de meia idade, com o cabelo comprido e que usava uma carteira de motorista americana falsificada. Nas imagens divulgadas pelas TVs locais, ele aparece vestido de turista e com uma grande mochila em suas costas.

O jornal on-line “Inter-view.info” assegura sem citar fontes que o suspeito é Mehdi Muhammad, um sueco de origem argelino de 33 anos de idade. Para completar, o site ainda traz duas fotos do suposto terrorista e uma cópia de seu passaporte sueco.

De acordo com o “Inter-view.info”, o homem já teria sido preso na base americana de Guantánamo, depois de ter estudado no Paquistão, onde foi detido pelas forças americanas sob a suspeita de ser um integrante da rede terrorista Al Qaeda.

Em julho de 2004, a pedido do governo sueco, ele foi libertado, assegura o jornal on-line.

O ministro do Interior da Bulgária, Tsvetan Tsvetanov, anunciou que a investigação já dispõe do perfil de DNA do suicida e esta mesma informação já foi enviada ao FBI, Europol e Interpol.


Segundo fontes anônimas, citadas pelo canal “bTV”, a polícia também trabalha com a hipótese do terrorista ter detonado a bomba, escondida em sua mochila, mediante ao uso de um telefone celular, ou seja, sem a necessidade de se baixar ou abrir a bolsa.

Tsvetanov, por sua vez, também não descarta “a possibilidade do terrorista ter contado com algum apoio logístico em território búlgaro”. No entanto, o ministro não apresentou mais informações a respeito.

Além disso, a investigação supõe que o suspeito estava há pelo menos quatro dias no país balcânico, mas não mais do que sete, tempo estimado para a realização de um atentado destas dimensões com ajuda de uns cinco cúmplices.

O governo israelense acusou o Irã e o grupo extremista xiita libanês Hisbolá como autores deste atentado, destacando que o ataque de Burgas aconteceu no 18º aniversário do atentado contra a Amia, um centro da comunidade judaica localizado em Buenos Aires. Na ocasião, 85 pessoas foram mortas neste ataque da capital argentina.

A embaixada do Irã em Sofia, por sua vez, assegurou hoje que não tem nada a ver com o atentado e assegurou que a República Islâmica “sempre considerou o terror e terrorismo como um fenômeno desumano”.

“Não importa através de quem e de qual organização esse atentado foi realizado e não importa qual era seu objetivo, a República Islâmica do Irã condena e declara este ato como inaceitável”, acrescenta um comunicado diplomático iraniano enviado à imprensa.

“O Irã é vítima do terrorismo, e o assassinato de cientistas nucleares iranianos por testas-de-ferro deste regime (Israel) comprova este fato”, conclui a embaixada.


Enquanto isso, o Governo búlgaro se mostrou hoje visivelmente preocupado com a imagem do país, que, por sua vez, não quer perder a posição de destino turístico seguro.

Desde as primeiras horas de hoje, o ministro da Economia e Turismo, Delyan Dobrev, está visitando hotéis na região e entrevistando turistas e operadores de companhia de turismo.

Neste aspecto, o ministro afirmou que após atentado inúmeras medidas de segurança adicionais foram implementadas em todos os hotéis do país onde estão hospedados turistas israelenses.

Mas, a repercussão da explosão inevitavelmente já começa a afetar o fluxo de possíveis veranistas à região, segundo um responsável da companhia Ortana, a mesma que elaborou o trajeto dos turistas que foram alvo do ataque de ontem.

Horas depois do atentado, segundo a Ortana, 20% das reservas feitas para os próximos dias foram canceladas, a metade por turistas israelenses que deveriam chegar hoje a Bulgária.

No último ano, o número de turistas israelenses que visitaram a Bulgária era de mais de 135 mil e, neste ano, as autoridades esperavam que esse número ascendesse até os 150 mil.

A maioria dos turistas israelenses, muitos deles de origem russa, costumam ir ao país balcânico para conciliar suas férias de verão com os jogos de azar e a diversão noturna.