Autor de ataques em Mumbai é condenado nos EUA

"Tenho a esperança de que a sentença que estabeleço vá manter o senhor Headley atrás das grades pelo resto de sua vida", disse o juiz Harry Leinenweber

Chicago – David Coleman Headley, que ajudou a planejar os atentados devastadores de 2008 em Mumbai e se tornou um delator, foi condenado esta quinta-feira a 35 anos de prisão por um juiz americano.

Headley, de 52 anos, que tinha se declarado culpado de colaborar com militantes paquistaneses para efetuar os ataques de Mumbai, assim como de planejar outro complô contra escritórios de um jornal dinamarquês, chegou a um acordo para evitar a pena de morte.

Headley, de 52 anos, admitiu ser culpado de atacar Mumbai em nome de militantes paquistaneses e de ter participado de uma segunda conspiração para atacar um jornal dinamarquês, conseguindo alcançar um acordo para evitar a pena de morte.

“Tenho a esperança de que a sentença que estabeleço vá manter o senhor Headley atrás das grades pelo resto de sua vida”, disse o juiz Harry Leinenweber.

Ele acrescentou que seria muito mais fácil impor a pena de morte, afirmando “isto é o que você merece”, mas que optou pela pena de 35 anos após uma moção do governo, destacando que “esta não é uma sentença branda”.


Militantes fortemente armados provocaram o caos em Mumbai em novembro de 2008, matando 166 pessoas e ferindo centenas durante três dias de carnificina em um ataque à capital financeira indiana.

Mas o promotor americano Patrick Fitzgerald pediu indulgência, dizendo ao juiz que a decisão de Headley de se tornar um informante “salvou vidas”.

Em um complô que soa como um ‘thiller’ de espionagem, Headley passou dois anos estudando Mumbai, inclusive fazendo passeios em barco ao redor do porto da cidade para encontrar locais para os agressores e se aproximando de astros de Bollywood como parte de seu disfarce.

Os advogados descreveram seu papel como coadjuvante, mas “essencial”.


Filho de um ex-diplomata paquistanês e de uma americana e nascido em Washington (EUA), Headley aproveitou sua aparência ocidental e passaporte americano para passar incólume durante os sete anos que trabalhou com militantes.

E embora tenha se tornado rapidamente um informante para salvar a própria pele, os promotores disseram que Headley era comprometido com a causa terrorista.

Ele estava tão ansioso para atacar o jornal dinamarquês Jyllands-Poster após a publicação de charges debochando do profeta Maomé que começou a trabalhar seriamente neste complô antes do ataque a Mumbai.

Ele também tinha na lista Bollywood e um dos templos mais sagrados do hinduísmo na Índia quando começou a tramar um segundo ataque ao país, durante uma viagem de supervisão, em março de 2009.