Shannon pode virar o novo embaixador americano no Brasil

Subsecretário para América Latina é o mais cotado para substituir o republicano Clifford Sobel

Diplomata de carreira, Thomas Shannon, o atual subsecretário do Departamento de Estado americano para o hemisfério ocidental, desponta como o nome mais cotado para ser o próximo embaixador americano em Brasília. Mas segundo especialistas nas relações Brasil-Estados Unidos, a nomeação do próximo embaixador deve levar pelo menos dois meses para ser oficializada pela Casa Branca, tendo então que ser aprovada pelo Senado americano. Logo, existe a possibilidade de que o novo embaixador só chegue ao Brasil a partir do segundo semestre de 2009. “Antes de escolher o próximo embaixador para o Brasil, Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, terão que lidar com temas mais urgentes, como a crise na Faixa de Gaza e as guerras do Iraque e do Afeganistão, para não falar do agravamento da crise econômica no México”, diz Peter Hakim, presidente do centro de pesquisas Inter-American Dialogue, sediado em Washington.

Até a definição do novo nome, o atual embaixador, o republicano Clifford Sobel, uma indicação pessoal do ex-presidente George Bush, deverá permanecer no cargo. “A permanência de Sobel no começo de um governo democrata é um reconhecimento por seu trabalho no Brasil, marcado por seu ótimo relacionamento com o setor privado no país”, diz o brasilianista David Fleischer, professor da Universidade de Brasília. Sobel deverá participar da próxima edição do Fórum de CEOs dos dois países, marcada para o dia 16 de março em Washington. Criado em 2007, o fórum tem por objetivo elaborar recomendações do setor privado para aprimorar as relações comerciais bilaterais.

Quanto à escolha do próximo embaixador, se ela depender de critérios estritamente diplomáticos, o currículo de Shannon faz dele o nome mais forte para o cargo. Reconhecido como um diplomata pragmático, Shannon, que comanda a diplomacia latino-americana desde 2005, é fluente em português, já tendo servido em Brasília de 1989 a 1992. “No momento, Tom Shannon é o candidato líder para o posto”, diz um cientista-político que atuou como conselheiro da campanha de Obama. “Mas sempre existe uma batalha entre o Departamento de Estado e a Casa Branca, que deve pressionar para que o escolhido seja um arrecadador de campanha”. Como é tradição nos EUA, os cargos de embaixador nas principais capitais do mundo costumam ser concedidos a figuras partidárias que se destaquem na arrecadação de fundos durante a campanha presidencial. Nesse caso, o novo embaixador poderia ser alguém fora do circuito diplomático sem nenhuma intimidade com o Brasil.

Até agora, além do nome de Shannon, já começa a circular em Washington uma lista de candidatos ao cargo. Os três nomes mais citados são todos ligados ao casal Bill e Hillary Clinton: o ex-embaixador Anthony Harrington, o ex-ministro chefe da Casa Civil, Thomas McLarty, e Anthony Lake, ex-conselheiro para assuntos de segurança nacional da Casa Branca. Para ser aprovado, o novo embaixador americano em Brasília terá que passar pelo crivo da secretária de Estado, Hillary Clinton, do vice-presidente, Joe Biden, que tem grande experiência em relações internacionais, e do próprio presidente, Barack Obama.