Atentado mata duas pessoas na Alemanha; suspeito é detido

Atiradores tentaram fugir em táxi e motorista ficou ferido; episódio acontece em um dos feriados mais importantes para os judeus

São Paulo — Dois homens atiraram em diversas pessoas perto de uma sinagoga em Halle, cidade na Alemanha que está localizada a cerca de 170 quilômetros da capital Berlim. Segundo informações da polícia da cidade, ao menos duas pessoas morreram, mas há feridas, e o suspeito já foi detido.

Os autores do ataque vestiam roupas camufladas E também teriam jogado uma granada de mão em um cemitério judeu próximo à cena, segundo o jornal alemão Bild. A dupla tentou fugir do local em um táxi e o motorista do veículo terminou ferido.

Inicialmente, os policiais de Halle falaram em um único suspeito, um homem. Pouco depois, passaram a considerar um crime com a participação de vários envolvidos, provavelmente três pessoas.

Em seu perfil oficial no Twitter, a polícia confirmou a prisão de uma pessoa, mas pediu para que os moradores de Halle permaneçam vigilantes.

“Nossas forças prenderam uma pessoa”, acrescentou a polícia. “No entanto, continuamos alertas. Destacamos tropas em Halle e nos arredores e estamos tentando estabilizar a situação até termos todas as informações relevantes”.

O episódio em Halle aconteceu por volta do meio dia no horário local em um dos feriados mais importantes para os judeus, o Yom Kippur, quando os adeptos ao judaísmo jejuam por mais de 24 horas. O bairro foi isolado, e a estação de trem foi fechada.

Além dos disparos em Halle, outros aconteceram cerca de 15km de distância do local, em Landsberg (Saalekreis), mas ainda há mais informações sobre esse tiroteio.

Extremismo cresce na Alemanha

O ataque ocorre poucos meses depois do assassinato na cidade de Hesse de Walter Lübcke, um político pró-migrantes do partido conservador da chanceler Angela Merkel (CDU). O principal suspeito é membro do movimento neonazista.

Esse caso chocou o país, onde a extrema direita anti-imigrante tem registrado sucessos eleitorais. Isso despertou o medo de um terrorismo de extrema-direita, como o do grupo NSU, que está por trás dos de vários assassinato migrantes entre os anos 2000 e 2007.

Na Alemanha, cresce o número de precedentes violentos contra autoridades que se manifestam a favor de políticas de acolhimento, como Lübcke: um ataque a faca contra a prefeita de Colônia, Henriette Reker, em 2015, e contra o prefeito de Altena, Andreas Hollstein, em 2017. Ambos escaparam da morte por pouco.

A Alemanha é confrontada com “uma nova RAF”, uma “RAF marrom”, disse o “Süddeutsche Zeitung”, em referência ao grupo terrorista de extrema-esquerda Fração do Exército Vermelho, também conhecido como Grupo Baader-Meinhof, que esteve ativo entre 1968 e 1998.

Mais de 12.700 extremistas de direita considerados perigosos já foram identificados pelas autoridades.

As autoridades alemãs também estão em alerta após vários ataques jihadistas nos últimos anos. O mais mortal foi em dezembro de 2016, quando um tunisiano, Anis Amri, invadiu um mercado natalino em Berlim com um caminhão roubado, matando 12 pessoas.