Atentados em Londres podem frear economia européia

Ao contrário da Europa, Estados Unidos não devem ser afetados pelas explosões desta quinta-feira (7/7)

A economia da União Européia, que já vinha apresentando sinais de desaceleração econômica, pode ser ainda mais prejudicada pelos atentados de ontem (7/7) em Londres. Segundo analistas consultados por The Wall Street Journal, os prováveis impactos serão sentidos no mercado acionário e no ritmo de consumo dos europeus.

“O impacto psicológico sobre os consumidores europeus pode ser o efeito mais direto dos atentados, já que eles podem se tornar mais cautelosos em suas despesas”, afirma Adds Shiv Mehta, gerente de administração de recursos do banco ING Investment em Nova York. “Não será espantoso se os ataques tiverem um impacto duradouro sobre os consumidores europeus”, diz James Paulsen, gerente de investimentos da Wells Capital Management.

Para avaliar melhor os efeitos das explosões em Londres, alguns analistas tentam traçar paralelos com as reações da economia, posteriores aos atentados de Madri, em 11 de março do ano passado. O crescimento da zona do euro, no primeiro trimestre de 2004, foi de 2,8%, em taxa anualizada. As economias do bloco começaram a declinar 90 dias após os ataques, mas os analistas admitem que é difícil determinar o verdadeiro impacto dos atentados de Madri sobre essa desaceleração.

O atentado chegou em um momento de maior fragilidade econômica da União Européia. O Produto Interno Bruto (PIB) europeu acumulou um crescimento de 1,3% nos últimos quatro trimestres. O PIB dos Estados Unidos cresceu 3,8%. O mercado interno britânico está desaquecendo, e o nível de emprego, caindo. O Reino Unido revisou sua taxa anualizada de crescimento de 2,7% para 2,1%, surpreendendo parte dos economistas.

Ações

No mercado de capitais, as ações de companhias hoteleiras, aéreas, de viagem e lazer devem ser as que mais refletirão os efeitos do terrorismo praticado em Londres. A saúde financeira das empresas, porém, pode atenuar o impacto sobre as cotações. Para os analistas, companhias como a British Airways e Air France-KLM devem sofrer pouco, pois o mercado confia nas boas perspectivas para a geração de caixa dessas empresas.

Já os Estados Unidos devem ser pouco afetados pelos últimos acontecimentos. “Não acho que as explosões sejam importantes para os investidores americanos”, afirma Paulsen, da Wells Capital. Segundo o analista, além de o país estar geograficamente distante do local dos atentados, a economia americana está crescendo. Para os investidores, o mais importante, neste momento, são as próximas estatísticas de criação de emprego e comportamento dos lucros nos Estados Unidos.