Assad diz que Turquia é parte do derramamento de sangue na Síria

Para o governante, os turcos passaram a interferir nas questões internas de Damasco e deram apoio logístico aos rebeldes

Ancara – O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, envolveu a Turquia no derramamento de sangue que acontece na Síria ao interferir nas questões internas de Damasco e dar apoio logístico aos rebeldes, disse o presidente sírio, Bashar al-Assad, a um jornal turco.

Assad também acusou o governante turco de ser “duas caras” ao buscar uma agenda sectária na região e tentar convencer Damasco a introduzir reformas políticas, ao mesmo tempo em que ignora as mortes e quebras democráticas em países do Golfo Pérsico.

“Com o desejo dele desde o início de interferir em nossos assuntos internos, infelizmente, no período subsequente ele fez da Turquia uma parte de todos os atos sangrentos na Síria”, disse Assad ao jornal Cumhuriyet.

“A Turquia deu todo tipo de apoio logístico aos terroristas que matam o nosso povo”, disse Assad na segunda parte de uma entrevista, publicada nesta quarta-feira.

Na primeira parte, publicada na terça, Assad disse que gostaria que as forças sírias não tivessem derrubado um caça turco no mês passado, repetindo a posição oficial de seu governo de que a Síria não sabia a identidade da aeronave antes de derrubá-la.

Falando a outro jornal turco, o Vatan, em sua volta do Egito na terça-feira, o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, considerou os comentários de Assad mentiras e disse que não acreditava em qualquer tipo de arrependimento do presidente sírio.

Enquanto o Oeste ignorava a Síria, a Turquia mantinha laços próximos com seu vizinho do sul ao longo da última década. Erdogan chamava Assad de “meu irmão” e os dois até já foram fotografados passando férias juntos.

Mas, diante da persistência do líder sírio em ignorar os pedidos turcos pelo fim da violência para reprimir os protestos contra o governo, os dois líderes entraram em desacordos diplomáticos que ganharam uma dimensão pessoal.

A Turquia aumentou sua presença militar na fronteira desde que um avião do país foi derrubado sobre o Mediterrâneo no dia 22 de junho por forças sírias.