Ásia irá desacelerar o ritmo de crescimento em 2005

Apesar de continuar liderando a expansão da economia mundial, o Banco de Desenvolvimento da Ásia estima que a região sofrerá a influência da alta do petróleo e do menor ritmo de crescimento dos EUA e da China

A Ásia continuará sendo a região de maior crescimento econômico no ano que vem. Apesar disso, a taxa de expansão deverá diminuir, pressionada pela desaceleração de países industrializados, como os Estados Unidos e a China, e pelo aumento dos preços do petróleo. O Banco de Desenvolvimento da Ásia (BDA) estima que, em 2005, a região (excluído o Japão) crescerá 6,3%, contra os 7,2% deste ano o melhor resultados dos últimos sete anos.

Tanto os economistas do banco asiático, como analistas de outras instituições, esperam uma acentuada queda na taxa de expansão de economias como o Japão, Hong Kong e Cingapura, entre outros países. A tendência ao endurecimento da política monetária, na região, com o objetivo de combater pressões inflacionárias, também deve conter as economias locais. Muitos analistas esperam, inclusive, turbulências nos mercados financeiros no final de 2005, caso persistam os déficits fiscal e comercial dos Estados Unidos.

“Há riscos de inflação crescente, aumento das taxas de juros e desvalorização do dólar”, afirmou Ifzal Ali, presidente do BDA, ao americano The Wall Street Journal. Ali acrescentou que outro fator que pode derrubar as economias locais é uma desaceleração brusca da economia chinesa no próximo ano.

Os Estados Unidos e a China são dois importantes mercados para os países da região. Alguns analistas afirmam que o ritmo da desaceleração asiática será ditado pelas medidas que o governo chinês tomar para reduzir sua própria expansão econômica, com vistas ao combate de pressões inflacionárias. O BDA estima que o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) chinês, em 2005, será de 8,3%, contra 8,8% em 2004. “Se a China administrar sua economia para crescer 8% no próximo ano, o país será um importante ponto de apoio para a Ásia”, afirmou Robert Subbaraman, economista do Lehman Brothers, a The Wall Street Journal.

Para os demais países da região, a queda das exportações significará maior atenção ao mercado interno. “O consumo doméstico e os investimentos produtivos estão se tornando mais importantes para o crescimento da Ásia”, disse Subbaraman. É o caso do Japão, cujo mercado interno deve exercer um papel central na manutenção da expansão econômica, diante da queda das exportações.

Mas a pequena taxa de crescimento do nível de emprego e da renda dos japoneses farão com que o consumo doméstico não seja suficiente para substituir toda a queda das exportações. Por isso, o país deve despertar menos interesse dos investidores estrangeiros no próximo ano.

Conforme o HSBC, a Tailândia e Taiwan são os outros dois países asiáticos que poderão compensar parte das perdas das exportações com o atendimento de seus mercados internos. “Mas, no resto da região, estamos muito menos confiantes que isso possa anular o impacto da redução do crescimento das exportações”, afirmou o banco.