As principais revelações do WikiLeaks desta terça-feira

Site continuou revelando novos documentos secretos da diplomacia americana

Paris – O site WikiLeaks deu prosseguimento à publicação, nesta terça-feira, de documentos diplomáticos dos Estados Unidos que irritam Washington e os países afetados.

As correspondências fazem parte do pacote de mais de 250 mil comunicações entre embaixadas e outros canais diplomáticos americanos aos quais o site Wikileaks teve acesso e que começou a vazar no domingo.

Os Estados Unidos condenaram os vazamentos como um “delito grave” mas não questionaram sua autenticidade.

Seguem as últimas revelações:

China perde a paciência com a Coréia do Norte

Pequim pensa que a Coreia do Norte está perdendo poder estratégico e acredita que um dia se unirá a seus vizinhos sul-coreanos.

Ano passado, o embaixador chinês no Cazaquistão, Cheng Guoping, revelou a um enviado dos Estados Unidos que Pequim considera o programa nuclear da Coreia do Norte “muito conflitivo”.

Autoridades chinesas teriam afirmado a um vice-ministro sul-coreano que a península coreana deveria ser reunificada sob o controle de Seul, de acordo com os documentos diplomáticos secretos.

Outro documento demonstra a frustração de Pequim com a Coreia do Norte. O vice-ministro das Relações Exteriores da China, He Yafei, é citado como tendo afirmado que o comportamento do governo norte-coreano é o de “criança mimada”.

Kuwait: terroristas de volta ao Afeganistão 

Em discussão realizada em fevereiro de 2009, o ministro kuwaitiano do Interior disse ao embaixador americano que seu país não queria de volta os terroristas encerrados em Guantánamo.

“Se são maus, são maus, e o melhor é deixá-los morrer”, disse o xeque Jaber Al Jalid Al Sabah.


Arábia Saudita: acompanhamento de presos ‘por bluetooth’ 

O rei Abdullah da Arábia Saudita propôs implantar chips eletrônicos em um grupo de presos de Guantánamo para poder segui-los após sua libertação.

Foi durante um encontro em março, com John Brennan, conselheiro antiterrorista de Obama. O soberano sugeriu os chips eletrônicos para controlá-los “por Bluetooth”.

“Assim se faz com os cavalos e os falcões”, observou o Rei.

As mensagens diplomáticas americanas vazadas pelo site WikiLeaks revelam também que a Arábia Saudita está obcecada com o perigo representado pelo programa nuclear iraniano e com as aspirações hegemônicas de Teerã na região.

Apesar do reino saudita, sunita, se mostrar moderado nas declarações públicas sobre o vizinho xiita, os documentos revelam que nas conversas privadas se mostra veemente contrário ao programa nuclear do Irã, do qual suspeita que o objetivo final é a bomba atômica.

“Disse a vocês que cortem a cabeça da serpente”, declara, citando o rei Abdullah, o embaixador saudita em Washington, Adel al-Jubeir, ao colega americano no Iraque, Ryan Crocker, e ao general David Petraeus.

Egito: ‘esqueçam de democracia no Iraque’ 

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, aconselhou os Estados Unidos em 2008 a “esquecer” a democracia no Iraque.

“Esqueçam isso; os iraquianos são por natureza demasiado duros”, declarou a parlamentares americanos, segundo o documento diplomático.

Karzai perdoa traficantes de droga 

O presidente afegão, Hamid Karzai, ordenou a libertação sem processo de dezenas de criminosos perigosos e traficantes de drogas pelas forças internacionais, diz um telegrama diplomático americano publicado nesta terça-feira pelo site Wikileaks.

De acordo com o texto, autoridades americanas repreenderam Karzai e o procurador-geral do Afeganistão, Muhammad Ishaq Alko em diversas ocasiões, por terem libertado todos estes prisioneiros em um período de três anos.

“Os dois homens autorizaram a liberação de prisioneiros antes de seu julgamento, e permitiram que perigosos criminosos saíssem da prisão e retornassem às suas atividades sem sequer terem sido apresentados a um tribunal”, indica o texto, datado de agosto de 2009 e classificado como “secreto” pela embaixada dos Estados Unidos em Cabul.

A embaixada americana afirma que 150 dos 629 prisioneiros foram libertados sem julgamento desde 2007.

O príncipe Charles é menos respeitado que a rainha

O príncipe Charles da Inglaterra “não tem o mesmo respeito” que a rainha Elizabeth II, disse Amitav Banerji, diretor dos assuntos políticos da Commonwealth.