As opiniões do novo papa, de tango a arte e casamento gay

Veja a opinião do papa Francisco sobre os mais variados - e polêmicos - assuntos

Vaticano – O cardeal argentino Jorge Bergoglio surpreendeu o mundo na quarta-feira quando pôs fim a uma série de quase 1.300 anos de papas europeus e acenou na Praça de São Pedro pela primeira vez como o papa Francisco.

Aqui está uma seleção das opiniões do jesuíta de 76 anos sobre temas que variam de mães solteiras, casamento gay, globalização e seus próprios interesses e experiência de vida:

Sobre batizar crianças de pais solteiros: “a criança não tem absolutamente nenhuma responsabilidade pelo estado do casamento dos pais. E, geralmente, um batismo também pode ser um novo início para os pais”, ele disse em uma entrevista para a revista católica 30 Giorni em 2009.

Sobre o casamento gay: em 2010, ele desafiou o governo argentino quando este apoiou uma lei para o casamento gay. “Não sejamos ingênuos. Essa não é uma simples luta política, é uma tentativa de destruir o plano de Deus”, ele escreveu dias antes de a lei ser aprovada pelo Congresso.

Sobre a globalização: “Para combater os efeitos da globalização que levou ao fechamento de muitas fábricas e às consequências da miséria e desemprego, é preciso promover de baixo para cima crescimento econômico com a criação de pequenas e médias empresas. A ajuda externa não deveria vir apenas na forma de fundos, mas também deveria reforçar uma cultura trabalhista e uma cultura política”, ele disse a Francesca Ambrogetti, do jornal italiano La Stampa, em uma entrevista em dezembro de 2001.

Sobre a vaidade: “Eu costumo dizer, para ilustrar a realidade da vaidade: olhe para o pavão, como ele é lindo de frente. Mas se você o olhar por trás, verá a realidade. Quem se apaixona por essa vaidade autoreferencial, esconde uma grande miséria dentro de si”, ele disse em uma entrevista publicada no site Vatican Insider, do La Stampa, em fevereiro de 2012.


Sobre dançar o tango: “Gosto muito de tango, e quando era jovem costumava dançá-lo”, ele disse a Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin, autores de sua biografia de 2010 El Jesuita.

Sobre sua antiga namorada: “Ela era de um grupo de amigos com quem ia dançar. Mas então eu descobri minha vocação religiosa”, contou a Ambrogetti e Rubin.

Sobre gastar dinheiro: Ele é conhecido por andar por Buenos Aires de ônibus e metrô, e pegou um voo de baixo custo para Roma, segundo sua prima em Turim, Maria Teresa Martinengo. “Ele não aguenta o desperdício. Ele diz que há crianças na Argentina nas favelas; ele está sempre pensando nelas”, ela disse ao jornal La Stampa em uma entrevista.

Sobre cinema: ele disse a Ambrogetti e Rubin que seu filme favorito é “A Festa de Babette”, um filme dinamarquês de 1987 sobre duas irmãs cristãs pias na Dinamarca do século 19 que contratam uma cozinheira que lhes prepara um banquete depois de ganhar na loteria.

Sobre arte: “Meu quadro favorito? The White Crucifixion de Chagall”, ele disse a Ambrogetti e Rubin. Chagall pintou a imagem em 1938, descrevendo cenas de sofrimento judeu ao redor de Jesus na cruz.