As mulheres contra Trump

Donald Trump vive esta semana um raro período de tranquilidade, após seu discurso no Congresso ter sido bem recebido até por opositores. Mas o movimento de mulheres nos Estados Unidos vem para relembrar que a variedade de polêmicas do governo é de fato surpreendente. Nesta quinta-feira, elas vão reunir representantes de cerca de 50 países em Bruxelas, na Bélgica, para discutir uma investida contra a movimentação anti-aborto de Trump.

Oito países (Bélgica, Canadá, Cabo Verde, Dinamarca, Finlândia, Holanda, Luxemburgo e Suécia) já se comprometeram a reunir pelo menos 600 milhões de dólares para a causa, pelos próximos quatro anos. A iniciativa surgiu para recompor o rombo estimado para os próximos quatro anos, após o presidente assinar, no dia 24 de janeiro, uma ordem que proíbe o repasse de verbas federais para ONGs que realizam abortos legalmente no país ou que disseminam informações sobre o procedimento.

O repasse existe desde 1984, quando foi criado pelo republicano Ronald Reagan, mas sua continuidade oscilou de acordo com o presidente em exercício ao longo da história. A proibição preocupa a comunidade internacional uma vez que os Estados Unidos são os maiores doadores para organizações de saúde no mundo, com repasses de cerca de 3 bilhões de dólares por ano. Com a medida, a ONG International Planned Parenthood, com atuação focada em educação sexual e reprodutiva em mais de 180 países, informou que deve perder cerca de 100 milhões de dólares em repasses.

A iniciativa para arrecadar fundos e garantir que as organizações continuem trabalhando foi lançada pelo governo da Holanda, que investiu  10 milhões de dólares na campanha intitulada She Decides, ou “Ela Decide”, em português. Nos Estados Unidos, o aborto é legalizado desde a década de 1970. No dia 21 de janeiro, cerca de 700 movimentos feministas se manifestaram ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, a Marcha das Mulheres reuniu cerca de 4,5 milhões de pessoas – e se tornou o maior protesto da história do país. O tema pode até não ser prioridade para o governo, mas tende a ser uma enorme fonte de protestos.