Argentina restringe importações de Brasil e China

Calçados brasileiros e brinquedos chineses precisam agora de licenças especiais de importação para entrar no país

Depois dos eletrodomésticos e dos automóveis, o governo argentino escolheu um novo alvo para alimentar a disputa comercial com o Brasil. Desta vez, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, impôs restrições às importações de calçados do Brasil e de brinquedos da China, em reposta à crescente entrada desses produtos no país. O mecanismo escolhido para inibir o avanço dessas mercadorias foi a exigência de licenças especiais de importação.

Segundo Lavagna, o acordo de importação de calçados assinado com o Brasil permite que as licenças especiais sejam adotadas, sempre que a cota de importação brasileira superar 13,5 milhões de pares. Para este ano, de acordo com o ministro argentino, os embarques brasileiros devem alcançar 16 milhões de pares.

O americano The Wall Street Journal relata um forte aumento das importações argentinas de calçados. Em 2003, 13,4 milhões de pares foram comprados de todas as partes do mundo. No ano seguinte, o volume subiu para 18,9 milhões. Já em 2004, bateu em 22,4 milhões de pares.

Lavagna declarou ainda que a medida também tem um caráter preventivo. A Casa Rosada teme que a valorização do real dificulte a entrada dos calçados brasileiros nos Estados Unidos e na Europa. Assim, para desovar a produção, os fabricantes começariam a aumentar as investidas sobre o mercado argentino.

As importações de brinquedos chineses também estão crescendo. Em 2003, o total importado foi de 26 milhões de dólares, contra 48,65 milhões no ano passado. Para 2005, as projeções indicam um salto para 75 milhões. De acordo com o secretário argentino da Indústria, Miguel Peirano, a exigência de licenças especiais para calçados e brinquedos não têm um prazo pré-determinado para serem abolidas.