Após protesto, tribunal permite que candidato da oposição russa concorra

O candidato da oposição, Sergei Mitrokhin, foi proibido de concorrer nas eleições municipais de setembro pela comissão eleitoral da Rússia

Moscou — Um tribunal da cidade de Moscou cancelou uma decisão de uma comissão eleitoral de barrar o candidato da oposição russa Sergei Mitrokhin de concorrer nas eleições municipais de setembro, noticiou a agência Tass.

O tribunal decidiu em favor de Mitrokhin três dias após milhares de manifestantes comparecerem a um protesto em Moscou, do qual Mitrokhin também participou.

Um mês de protestos ligados à eleição para o Legislativo municipal de Moscou se transformou no maior movimento de protestos da Rússia desde 2011-2013, quando manifestantes foram às ruas contra supostas fraudes eleitorais.

Nesta terça-feira, o Kremlin minimizou as cinco semanas de protesto em favor de eleições livres em Moscou, dizendo que a situação não levou a comentários do presidente russo, Vladimir Putin, e manifestando forte apoio à dura repressão policial.

A polícia deteve brevemente 2 mil pessoas, indiciou cerca de uma dúzia de pessoas por desordem em massa, determinou penas de prisão curtas para quase toda a equipe do político oposicionista Alexei Navalny, e usou a força para dispersar o que chamaram de protestos ilegais.

No sábado, apesar da repressão, cerca de 60 mil pessoas foram às ruas de Moscou para o que um grupo de monitoramento chamou de maior protesto político russo em oito anos.

Putin, no entanto, ainda não comentou sobre as tensões e as declarações do Kremlin nesta terça-feira foram as primeira sobre o assunto.

“Nós não concordamos com as muitas pessoas que chamam isto que está acontecendo de uma crise política”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres em resposta a uma pergunta.

“Os protestos ocorrem em muitos países do mundo. Eles são provocados por questões específicas”, disse ele, apontando para manifestações na Europa, onde a mídia estatal russa freqüentemente se concentra em protestos na França pelos chamados “coletes amarelos”.