Após 53 mortes em protestos, Nicarágua dá passo em direção ao diálogo

ÀS SETE - A dura repressão por parte do governo em manifestações contra a reforma da Previdência causou revolta na população

Depois de quase um mês de protestos que tomaram várias cidades da Nicarágua contra o governo de Daniel Ortega, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) chega ao país nesta quarta-feira para iniciar um diálogo nacional com o objetivo de pôr um fim aos conflitos.

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As tensões começaram no dia 18 de abril, quando estudantes se organizaram em manifestações contra uma reforma da Seguridade Social, o equivalente à Previdência Social no Brasil. A dura repressão por parte do governo causou revolta na população e mais manifestações começaram a aparecer em diversas cidades do país contra as medidas repressivas de Ortega. Organizações não governamentais estimam que pelo menos 53 pessoas já tenham morrido até agora -algumas estimativas falam em 65 mortos. O empresariado calcula mais de 100 milhões de dólares de perdas geradas pelo conflito.

Os manifestantes pedem uma renúncia imediata de Ortega que, tendo sido reeleito em 2016 para o terceiro mandato consecutivo, acumula 11 anos no poder. Mas há setores que buscam uma saída menos traumática para a crise com o adiantamento das eleições e a garantia de que nem Ortega nem sua esposa, vice-presidente e porta-voz, Rosario Murillo, participem do processo eleitoral. Segundo reportagem do jornal El País, o consenso na Nicarágua é que qualquer solução do conflito passa pela saída de Ortega da presidência antes do término oficial de seu mandato, em 2021.

Na última sexta-feira, em um comunicado conjunto, empresários, estudantes e representantes de organizações civis afirmaram estarem prontos para participar de um “diálogo nacional. Horas depois, a Conferência Episcopal do país fez um pronunciamento exigindo quatro condições para o início das conversas, entre elas, a entrada da CIDH para investigar os ocorridos em abril –única que viria a ser atendida pelo governo.

Na noite de sexta, Rosario Murillo foi à televisão pública ler uma carta de Ortega (que não aparece em público desde o dia 30 de abril), na qual o presidente concordava com as propostas da Igreja. Além da entrada da CIDH, os bispos pedem o fim da repressão contra protestos civis pacíficos, a dissolução dos grupos paramilitares e o fim do uso da Polícia Nacional em ações repressivas. No sábado, no entanto, forças do presidente atacaram uma cidade a 35 quilômetros da capital, Manágua, deixando um morto e dezenas de feridos. Na madrugada de segunda-feira, outro enfrentamento em uma zona produtiva deixou vários feridos.

Diante de tantas tensões, uma conversa nacional parece difícil. A própria Igreja afirmou que as “circunstâncias para o diálogo não são as mais idôneas”, mas que é preciso abrir o caminho para uma democratização do país. A Ortega, restam poucas opções. A reunião de hoje deve mostrar se ele está disposto a deixar o comando do país de forma pacífica.

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