Após 2 anos no exilo, ex-presidente das Maldivas retorna ao país

Condenado há 13 anos de prisão, Mohammed Nasheed retornou ao país depois que Supremo Tribunal aceitou revisar o caso

Malé – O ex-presidente das Maldivas Mohammed Nasheed, exilado em Londres após ser condenado em 2015 a 13 anos de prisão, chegou nesta quinta-feira ao Aeroporto Internacional Velana, perto de Malé, onde foi recebido por centenas de simpatizantes e líderes políticos.

Depois que o Supremo Tribunal ordenou na última terça-feira atrasar a implementação da pena à espera de uma revisão do caso, o avião com Nasheed aterrissou no arquipélago por volta das 14h30 (horário local, 6h30 em Brasília), procedente de Colombo, capital do Sri Lanka. Na aeronave, além de Nasheed estavam a mulher e ex-primeira-dama, Laila Ali, e o presidente eleito, Ibrahim Mohammed Solih.

O político desceu do avião usando sua habitual gravata amarela – cor do Partido Democrático Maldivo (MDP) -, onde foi recebido por sua mãe, Aabidhaa, pelo número dois da legenda, Shifaz Mohammed, e um grande número de parlamentares e líderes políticos afins.

Está previsto que Nasheed viaje agora de lancha até a capital maldiva acompanhado de uma frota de embarcações com dezenas de simpatizantes e que faça um discurso diante de milhares de pessoas no salão de campanhas do MDP.

No sábado, o ex-presidente viajará para Addu (sul) para se reunir com moradores locais.

Primeiro presidente eleito democraticamente nas Maldivas, Nasheed foi obrigado a renunciar em 2012 e, três anos mais tarde, foi condenado pela detenção ilegal de um juiz durante seu mandato, em um polêmico e midiático processo que seu partido afirma que teve várias irregularidades.

No final de setembro, os eleitores deram a vitória ao líder opositor Solih diante do presidente Abdulla Yameen, abrindo caminho para o retorno de Nasheed, que tinha sido vetado de participar das eleições.

Depois da vitória de Solih, os tribunais maldivos libertaram o ex-ditador Maumoon Abdul Gayoom e outros presos políticos, a maioria detidos por acusações de terrorismo após a crise política ocorrida em fevereiro, quando o Supremo Tribunal anulou as sentenças contra vários opositores, entre eles Nasheed.