Apec busca posicionar-se como pilar da estabilidade e pressiona Europa

As 21 economias do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico concentram 44% do comércio mundial

Honolulu – As 21 economias do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) reunidas no Havaí pediram nesta quinta-feira que a Europa adote medidas rápidas para deter a crise de sua dívida e se posicionaram como uma região pilar do crescimento e estabilidades mundiais.

Na primeira reunião de alto nível do Apec, os ministros das Finanças dessa região que concentra 44% do comércio mundial pediram à Europa a aplicação de um “plano forte” contra a crise da dívida, que ameaça o crescimento global.

“A crise na Europa continua sendo o principal desafio para o crescimento global. É crucial que a Europa se mexa rápido para aplicar um plano forte para restaurar a estabilidade financeira”, afirmou o secretário americano do Tesouro, Tim Geithner, depois do encontro de ministros.

O fórum acontece num momento em que a Itália deixa os mercados tensos por seu elevado nível de endividamento, que chega a 120% do PIB (1,9 trilhão de euros), com taxas de juros para a dívida a 10 anos, que na quarta-feira superaram a barreira dos 7% anual, um nível que muitos analistas consideram insustentável a médio e largo prazo.

E apesar da Grécia ter designado na quinta-feira Lucas Papademos como primeiro-ministro de um governo de unidade nacional, que deverá adotar novas medidas de austeridade, na Itália, as dificuldades com a dívida se soma à incerteza política depois da anunciada demissão do premiê Silvio Berlusconi.


A situação na Europa continua se deteriorando e as perspectivas pra o próximo ano são pouco animadoras.

“O crescimento parou na Europa e poderemos entrar numa nova fase de recessão”, advertiu na quinta Olli Rehn, comissário europeu para Assuntos Monetários, em um sombrio relatório com as previsões da Comissão Europeia.

As economias do Apec, com Estados Unidos na liderança, tentam posicionar-se como “o centro de gravidade estratégico e econômico” do planeta, nas palavras da secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Em seu discurso, Clinton afirmou que chegou o momento de um “sistema transpacífico mais dinâmico e duradouro, que promova a segurança, prosperidade e valores universais e incentive uma cooperação efetiva na escala que os desafios hoje requerem “.

Os Estados Unidos lideram um acordo comercial transpacífico de livre comércio (TPP).

O Japão expressou nesta sexta-feira o desejo de unir-se a estas negociações, que incluiriam 10 países (Austrália, Brunei, Chile, Estados Unidos, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã).

A adesão japonesa é alvo de polêmica no arquipélago: os exportadores a apoiam na expectativa de conquistar novos mercados, mas o protegido setor agrícola teme ser prejudicado pela chegada de alimentos mais baratos.

O pacto, cuja negociação poderá se anunciada no domingo no Havaí, também suscita críticas na China, que já assinalou que os objetivos de Washington para são “muito ambiciosos”.

Os líderes das 21 economias do Apec realizarão sua cúpula no domingo, com a presença de Barack Obama (Estados Unidos), Hu Jintao (China), Dimitri Medvedev (Rússia), e chefes de 3 países latinos: Sebastián Piñera (Chile), Felipe Calderón (México) e Ollanta Humala (Peru).