Apagão colocou Buenos Aires em colapso

Em alguns cruzamentos de avenidas grupos de moradores fizeram panelaços para protestar contra a falta de energia elétrica

Buenos Aires – Um apagão de grandes proporções atingiu nesta quarta-feira diversos bairros da capital argentina, levando a cidade ao caos no fim da tarde. Mais de 1.500 semáforos deixaram de funcionar, provocando o colapso do trânsito, especialmente na avenida 9 de Julio, a principal artéria do centro portenho. Sem energia, o metrô e o sistema de trens ficaram paralisados durante várias horas, impedindo o transporte de centenas de milhares de pessoas no horário de maior movimento.

O centro da cidade e os bairros de Constitución, Barracas, Palermo, Balvanera, Villa Devoto, Villa Del Parque, Villa Lugano, Chacarita, Belgrano, Almagro, Boedo, algumas áreas do elegante Puerto Madero, além do município de Vicente López, na zona norte da Grande Buenos Aires ficaram sem energia elétrica, enquanto a cidade era assolada por uma onda de calor que levou os termômetros à marca de 35 graus Celsius. Alguns bairros, como Villa Crespo ficaram 16 horas sem energia.


Em alguns cruzamentos de avenidas grupos de moradores fizeram panelaços para protestar contra a falta de energia elétrica. Segundo a companhia de energia elétrica Edesur, a causa do apagão foi “uma falha dupla em duas linhas de alta tensão” provocado pelo alto consumo que disparou pelo calor que assolou Buenos Aires ontem.

O ex-secretário de Indústria e Comércio, Alieto Guadagni, afirmou que é “preocupante” a situação do setor elétrico argentino, já que a rede de distribuição de energia está “cada vez mais obsoleta”. Segundo Guadagni, várias empresas do setor investiram quantias abaixo do volume requerido. “E o governo da presidente Cristina Kirchner foi condescendente com essa falta de investimento”, disse.

O apagão afetou durante alguns minutos a própria Casa Rosada, o palácio presidencial argentino. O edifício do Congresso Nacional ficou às escuras durante duas horas.

Vários bairros da cidade ficaram sem água potável, enquanto o lixo – que não havia sido coletado nos últimos dias por problemas com as empresas envolvidas – acumulava-se nas calçadas da cidade.