Angela Merkel constrói conduta liberal em estado socialista

Candidata que faz história na política da Alemanha cresceu na Alemanha Oriental, sob o regime socialista

Aos 51 anos, Angela Merkel já faz história na política alemã antes mesmo de sair o resultado das últimas eleições. Sua plataforma liberalizante é uma lufada de ar fresco no moribundo estado de bem-estar social que vem emperrando o crescimento da Alemanha há mais de uma década. Redução de impostos, flexibilização das leis trabalhistas e diminuição do papel do Estado na economia constituem o carro-chefe da líder da União Democrata-Cristã (CDU).

As reformas renderam-lhe o apelido de Margaret Thatcher alemã. As idéias liberais de Angela foram forjadas quem diria ao longo de sua vida na Alemanha Oriental. “Lá, sob um regime totalitário e assistencialista, ela se deu conta de quão nocivo o Estado pode ser à economia”, diz o professor de ciências políticas Gerd Langguth, autor de uma recente biografia sobre Merkel que é protestante, está no segundo casamento e não tem filhos. Ao longo de sua carreira política, ela se mostrou crítica com relação ao excesso de benefícios providos pelo Estado, bem como às escorchantes contribuições sociais exigidas das empresas.

Formada em Física pela Universidade de Leipzig, Angela chegou a ser procurada por oficiais da Stasi, a antiga polícia secreta do país, sob acusações de subversão. O “crime”? Cantar a Internacional Socialista em inglês. Apesar da proximidade ideológica com as economias do outro lado do Atlântico, Merkel que nunca foi comunista chegou a se engajar em alguns projetos ligados ao governo, como organizações juvenis. A queda do Muro de Berlim em 1989, no entanto, não a comoveu: no mesmo dia, ela foi descansar numa sauna com as amigas.

Essa apatia política foi totalmente substituída por um entusiasmo reformista quando ela se juntou à União Democrata-Cristã nesse mesmo ano. O então chanceler, Helmut Kohl, fez dela Ministra da Mulher e, posteriormente, do Meio Ambiente. Por isso, ela ficou conhecida no país como “a menina de Kohl”. Em 1999, um ano depois de ele perder a eleição para Gerhard Schroeder, Angela chocou os políticos de seu partido ao defender a saída do ex-chanceler da União. “Ela não é de ficar fazendo cena. Se exigiu sua saída, é porque realmente acreditava ser o melhor para o partido”, diz Langguth. Mulher de temperamento difícil, angariou muitos inimigos dentro da União. “Isso é resquício dos tempos de Alemanha Oriental. Angela é uma pessoa muito desconfiada e, por isso, se cerca de poucos amigos”.

Os parlamentares têm até 18 de outubro para escolher o próximo chanceler. Se vencer, Angela promete implementar reformas capazes de colocar a economia alemã a terceira maior do mundo de volta nos trilhos. Vamos ficar de olho.