Amazônia tem menor índice de desmatamento em 23 anos

Planalto aproveita o Dia Mundial do Meio Ambiente para anunciar queda da área devastada na Amazônia Legal e pacote de medidas ambientais

No Dia Mundial do Meio Ambiente e a oito dias da abertura da conferência Rio+20, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou nesta terça-feira que a Amazônia Legal teve o menor índice de desmatamento dos últimos 23 anos. O anúncio foi feito ao lado da presidente Dilma Rousseff durante cerimônia no Palácio do Planalto, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente.

A ministra citou dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que registrou, entre agosto de 2010 e julho de 2011, a menor taxa de desmatamento na Amazônia Legal desde 1988, quando começou a ser feita a medição: a região teve 6.418 quilômetros quadrados desmatados no período. Os dados indicam que, em 2011, houve uma redução de 8% em relação ao mesmo período em 2009 e 2010. “Representa a metade do que havia em 1992 e um terço a menos do que foi em 2004”, disse Izabella.

Durante o evento, considerado pelo governo a abertura simbólica da Rio+20, que será realizada entre os dias 13 e 22 no Rio de Janeiro, a presidente anunciou um pacote de medidas para reforçar as políticas de proteção ambiental. Uma delas é a criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paranapanema, área de 105.921 quilômetros quadrados que abrange 247 municípios dos estados do Paraná e de São Paulo. O comitê, segundo o Ministério do Meio Ambiente, terá, entre outras funções, a responsabilidade de evitar conflitos na região.

A presidente também autorizou a criação de duas novas unidades de conservação, a Reserva Biológica Bom Jesus (PR) e do Parque Nacional Furna Feia (RN), e assinou decretos que ampliam as áreas do Parque Nacional do Descobrimento (BA), da Floresta Nacional Araripe-Apodi (CE) e da Floresta Nacional Goytacazes (ES).

“Sem dúvida, temos muito a celebrar, mas também muito o que avançar neste Dia do Meio Ambiente. O desenvolvimento deve ser sempre sustentável para ser justo. Proteger o meio ambiente abrindo mão do crescimento e da distribuição de renda é insustentável”, afirmou Dilma.

A presidente fez um apelo aos países para não usarem a crise financeira internacional como desculpa para interromper o investimento no desenvolvimento sustentável. Dilma afirmou que o governo tem um “arsenal de providências” para que a economia brasileira possa continuar crescendo. “O Brasil vai se manter no rumo”, disse. “Temos um arsenal de providências que serão adotadas quando necessário. Não permitiremos que sejam destruídas nenhuma de nossas conquistas sociais, ambientais e econômicas”. A presidente disse ainda que aqueles países que continuarem a apostar na crise (“como alguns apostaram anos atrás) vão perder novamente. “Vamos continuar crescendo, incluindo, protegendo e preservando o meio ambiente”, prometeu.