Alemanha vai reduzir impostos sobre empresas

Medida representa uma virada na postura política do governo alemão, que vinha denunciando a "guerra fiscal" promovida sobretudo pelos países do leste europeu recém-integrados à União Européia

A Alemanha mudou de opinião e vai reduzir a carga tributária das empresas. O chanceler Gerhard Schröder apresentou nesta quinta-feira (17/3) ao Parlamento alemão um plano que reduz a alíquota federal média de tributos corporativos de 25%, a maior da Europa, para 19% a média atinge 32% quando consideradas as alíquotas regionais. Com isso, o governo alemão abandona a política de reclamar da guerra fiscal e pára de pressionar os vizinhos para que elevassem a carga fiscal incidente sobre os negócios.

Em reportagem, The Wall Street Journal contextualiza a iniciativa em um movimento global em que os países tentam evitar a todo custo perder investimento produtivo (leia reportagem de EXAME mostrando como o Brasil ainda não acordou para essa necessidade).

A terceira economia do mundo está correndo atrás de países menores do Leste Europeu (como a Polônia, que Schröder chegou a acusar de dumping no ano passado). Esses membros recém-incluídos na União Européia estão atraindo investimentos e empregos por causa de sua política fiscal favorável aos negócios. A iniciativa alemã pressiona ainda mais os Estados Unidos, com alíquota média de 39,4%, e o Japão, com 40,9%, segundo o jornal americano. Outros países que têm motivos extras de preocupação neste quesito são a França e a Itália.

Mas, segundo empresários ouvidos pelo jornal americano, o alívio fiscal na Alemanha não será suficiente para ativar os negócios. Para eles a rígida legislação trabalhista é o maior empecilho para o investimento (leia reportagem de EXAME sobre desafio semelhante no Brasil).