Alemanha se opõe a bônus em euro e pede mais cooperação

País quer união fiscal, apesar de descartar a emissão da dívida de forma conjunta

Berlim – A Alemanha rejeitou fortemente ao longo do final de semana crescentes pedidos para que a zona do euro emita dívida de forma conjunta, mas sinalizou que está aberta para um movimento em direção a uma união fiscal, com o ministro de Finanças dizendo que, pessoalmente, apoia um contraparte europeu.

“Os bônus em euro são exatamente a resposta errada para a atual crise”, afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, à rede pública de TV do país ZDF, em entrevista neste domingo. “Eles (os bônus em euro) nos levariam a uma união de dívida, e não a uma união de estabilidade”, acrescentou.

A Alemanha, que se beneficia de menores custos para emitir dívida em comparação a outras nações da zona do euro, tem liderado a resistência à emissão de títulos públicos denominados na moeda única.

Isso contrasta com a opinião de alguns países parceiros, como Bélgica e Itália, e a Comissão Europeia, que nesta semana disse estar ainda estudando a viabilidade desses bônus e que pode apresentar o esboço de uma legislação para eles.

Os comentários de Merkel neste domingo estão em sintonia com os feitos pelo ministro de Finanças alemão no início desta semana. Wolfgang Schaeuble afirmou que a zona do euro poderia emitir dívida em conjunto apenas se tiver uma política fiscal comum, alertando que, caso contrário, haveria o risco de inflação e de desestabilização do bloco de moeda única.

As pressões para que Alemanha e França tomem ações radicais sobre a crise de dívida cresceram nesta semana, conforme os mercados financeiros recuaram mais e a Bélgica reforçou o coro dos que querem a emissão conjunta de bônus em euro.

Merkel disse que a solução para a atual crise está mais próxima da cooperação econômica na Europa, principalmente na zona do euro.

“A zona do euro precisa trabalhar ainda mais junta, mas precisamos também trabalhar juntos dentro da Europa dos 27”, disse, referindo-se à União Europeia (UE), formada por 27 países.

“Nossa moeda não é respaldada por uma união política. Agora a tarefa é tornar o euro forte por meio de mais cooperação econômica e, principalmente, de mais comprometimento.”


Pronto para ministro europeu

A fala de Merkel esteve em linha com a de Schaeuble, que em recentes declarações disse ainda ter esperanças de que a zona do euro possa evoluir para uma união política.

“Como pessoa física, o Wolfgang Schaeuble já está preparado (para delegar soberania a Bruxelas). Não tenho problema com a ideia de um ministro de Finanças europeu”, afirmou ele à edição deste domingo do jornal Welt am Sonntag.

“Mas, como ministro de Finanças, digo: é nosso dever aqui e agora resolver os problemas o mais rápido possível, com base nos contratos existentes.”