Alemanha esfria otimismo sobre encontro europeu

País declarou que está pessimista sobre os resultados da reunião após os EUA mostrarem confiança em uma resolução para a crise

Paris – A Alemanha esfriou as expectativas do mercado sobre a reunião europeia de quinta e sexta-feira ao dizer que “vê o encontro com pessimismo”.

As afirmações vindas de Berlim bateram de frente com o otimismo do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, que se reuniu com as autoridades francesas nesta quarta-feira, às vésperas do encontro de Bruxelas sobre a crise da dívida.

Geithner manifestou sua confiança no êxito da Europa diante da crise, após uma reunião em Paris com o ministro francês das Finanças, François Baroin. “Destaquei até que ponto é importante para os Estados Unidos e o resto do mundo que a Europa tenha êxito e confio que terá”, afirmou Geithner.

O secretário visitou na terça-feira a Alemanha e se reuniu com as autoridades do Banco Central Europeu (BCE) e disse desejar ter certeza de que uma barreira suficientemente forte foi instalada para evitar a propagação da crise na Eurozona.

A Alemanha, no entanto, jogou um balde de água fria sobre as expectativas, ao confessar que vê o encontro com “pessimismo”.

Segundo uma fonte governamental de Berlim, um certo número de sócios ainda não entendeu a gravidade da situação.

“Estou mais pessimista agora do que na semana passada quanto à possibilidade de que cheguemos a um acordo total”, disse a fonte. “Para a Alemanha, é preciso que seja dado um passo decisivo sobre a estrutura futura da Eurozona nos dois próximos dias em Bruxelas e aqueles que tentam escapar dos compromissos não compreenderam o que está por vir”, completou.

As bolsas europeias – que haviam aberto em alta – encerraram a quarta-feira no vermelho.


O principal índice da Bolsa de Londres, o Footsie-100, perdeu 0,39%, a 5.546,91 pontos. O CAC 40 da Bolsa de Paris recuou 0,11%, para 3.175,98 pontos.

Na Bolsa de Frankfurt, o DAX terminou em alta de 0,57%, aos 5.994,73 pontos. O IBEX 35 da Bolsa de Madri perdeu 0,79%, para terminar aos 8.644,30 pontos. Em Milão, o FTSE Mib perdeu 1,24%, fechando aos 15.650,93 pontos.

A taxa de risco – o diferencial que os europeus pagam com relação aos bônus a dez anos alemães de referência – voltou a subir. No fechamento das bolsas europeias, a taxa de risco da Itália subia a 370 pontos básico, a da Espanha a 313 pontos e a da França se situava a 110 pontos.

Ao mesmo tempo, a Alemanha obteve êxito nesta quarta-feira na emissão de títulos da dívida com vencimento a cinco anos, recuperando-se do fracasso de duas semanas atrás.

Portugal, por sua vez, colocou 1 bilhão de euros em bônus do Tesouro a três meses, a uma taxa de juros menor que a da última emissão de porte similar.

Ainda nesta quarta-feira, Geithner se reunirá em Marselha (sul da França) com o próximo presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, antes de viajar para a Itália na quinta-feira, depois dos encontros com França e Alemanha.