Além do Brexit: os problemas da UE

A novela do Brexit segue como fonte inesgotável de surpresas — a de ontem foi a desistência do ex-prefeito de Londres, Boris Johnson. Um dos maiores apoiadores da saída, Boris anunciou que não vai tentar se candidatar ao posto de primeiro ministro diante da renúncial do atual premiê, David Cameron.

Com o passar dos dias, porém, vai ficando claro que o Brexit, embora traumático, é só o mais novo de uma longa lista de problemas na União Europeia. Quando forem divulgadas hoje as taxas de desemprego de maio, a expectativa é de uma manutenção dos níveis acima dos 10%, como acontece nos últimos cinco anos. Para os jovens, o número é ainda pior: cerca de 20% deles não têm trabalho.

O problema do desemprego castiga especialmente grandes economias como a Espanha, que tem taxas acima dos 20%, França e Itália, com cerca de 11%. Excluindo a Alemanha, os países europeus com menos desemprego estão todos fora da zona do euro. No próprio Reino Unido, somente 5% da população não tem trabalho.

Uma pesquisa divulgada em junho pelo Instituto Mercatus aponta que a adoção das políticas monetárias do euro e as restrições da moeda comum prejudicaram os países que adotaram a moeda única, agravando os desdobramentos da crise de 2008.

Sem um banco central próprio para controle de estímulos, países como Itália, Portugal e Espanha ficaram à mercê do Banco Central Europeu. Resultado: aumentaram suas dívidas externas e reduziram seu próprio crescimento nos anos por vir. Entre 14 os países da União Europeia que cresceram mais do que a média de 1,8% do continente no ano passado, somente seis tinham o euro como moeda oficial.

Há muito trabalho pela frente. Mão-de-obra não falta.