Reduto republicano, Alabama vive uma eleição apertada

ÀS SETE - Denúncias de abusos sexuais contra menores pode acabar com a hegemonia de mais de 20 anos dos republicanos em um estado conservador

Esta terça-feira é dia de mais uma eleição nos Estados Unidos. A de hoje elege um senador  que será o substituto de Jeff Sessions, indicado por Donald Trump para ser o procurador-geral da República.

Sessions foi senador pelo Alabama por 20 anos, um estado profundamente republicano, que deu vitória a Trump por 28 pontos no ano passado e que há 25 anos só elege republicanos para o cargo.

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Mas neste ano as pesquisas apontam para um resultado bastante apertado. O candidato que teria tudo para ganhar num estado tipicamente conservador é o republicano Roy Moore. Teria.

Moore é acusado por nove mulheres de estupro e assédio sexual. Uma delas afirmou que ele a teria atacado aos 14 anos, quando Moore tinha 32 anos e era advogado assistente do distrito de Etowah, no norte do Alabama.

Moore negou vorazmente as acusações e afirmou que a mídia estava trabalhando com os democratas para derrubá-lo.

Moore, um conservador típico, é contra a imigração e também contra direitos da população LGBT. No Alabama seu apoio ainda é grande com a população branca e cristã.

O presidente Trump — também acusado por três mulheres de assédio — o apoiou abertamente e a maioria do partido Republicano não foi contrária à candidatura. Apesar disso, outro senador do estado, Richard Shelby, também republicano, disse que não poderia dar seu voto a Moore.

“O Alabama merece coisa melhor”, disse. Shelby chegou a afirmar que já é considerada uma investigação no Senado caso Moore seja eleito.

Na outra ponta, o concorrente democrata Doug Jones trabalha para levar a população negra do Alabama às urnas e espera contar com o apoio de comerciantes e donos de negócio no estado, preocupados com a reputação do Alabama diante de uma vitória de Moore.

A um dia do pleito, as pesquisas eram inconclusivas: uma realizada pela rede de TV Fox News mostrava Jones 10 pontos percentuais na frente; outra, de autoria da Universidade Emerson, dava a dianteira, com nove pontos, para Moore. Com a margem de erro, no aglomerado das pesquisas, os dois estão virtualmente empatados.

Todos os anos a revista Time escolhe uma pessoa influente para ser a pessoa do ano. Em 2017, essa pessoa foi The Silence Breakers, as que quebraram com o silêncio, numa tradução livre.

Um reconhecimento da importância social e do impacto que as denúncias de centenas de mulheres, e alguns homens, trouxeram quando resolveram não mais tolerar os ataques de seus algozes. Entre elas as que se levantaram contra Moore.

Hoje, a luta iniciada por essas mulheres ganha um novo capítulo.