Ajuda econômica da Europa à África não se materializou

Segundo o painel de Montpellier, compromisso assumido na reunião do G8 em 2009 não passou de promessa

Londres – As ajudas econômicas anunciadas pelos países europeus para a agricultura da África não passaram de promessas, o que impediu a realização de projetos que poderiam impulsionar a produção de alimentos no continente.

Isto é o que denuncia o último relatório anual do grupo de especialistas europeus e africanos conhecido como o painel de Montpellier e elaborado com o apoio da Fundação Bill & Melinda Gates.

Segundo o relatório, o compromisso assumido na cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia) no ano passado em L’Aquila (Itália) de lutar contra a desnutrição na África se reduziu a ações que ainda não foram postas em andamento.

Na reunião do G8, esses países se comprometeram a doar US$ 22,5 bilhões para garantir a segurança alimentar no mundo todo.

A maior parte destes fundos seria destinada a projetos agrícolas na África Subsaariana, uma das regiões do mundo mais castigadas pela fome e pela desnutrição.

“É preciso acabar com a brecha entre prometer e cumprir e garantir a segurança alimentar através do desenvolvimento da agricultura”, explicaram os especialistas.


Eles se mostraram especialmente preocupados pelo fato de os doadores europeus não usarem sua influência para criar uma “rede de segurança” como, por exemplo, um sistema de reservas de cereais que poderia evitar uma nova onda de desnutrição por redução das colheitas, como as de 2007 e 2008.

“Queremos ver como os doadores europeus dão atenção às ameaças imediatas à segurança alimentar e se aumentam seu apoio aos esforços das autoridades africanas para garantir a prosperidade nesses países”, disse Gordon Conway, presidente do painel de especialistas.

Conway afirma que as ajudas europeias são especialmente produtivas neste momento, pois são o financiamento de que vários projetos de desenvolvimento iniciados pela primeira vez pelos próprios africanos necessitam.

O relatório adverte que cerca de 337 milhões de africanos consomem menos de 2.100 calorias por dia e cerca de 200 milhões sofrem desnutrição crônica. Além disso, segundo o documento, 12 africanos morrem por minuto por desnutrição.

No caso da África Subsaaariana, metade das crianças está com raquitismo e cerca de 50% das grávidas e de 40% das mulheres que amamentam seus filhos sofre de anemia.

O ponto positivo é que 22 países do continente assinaram o programa compreensivo de desenvolvimento agrícola africano (CAADP), que obriga os signatários a investir 10% de seus orçamentos na produção alimentícia.

Além disso, países como Gana, Etiópia, Mali, Malauí, Burkina Fasso e Senegal superaram essa percentagem de investimentos e o Produto Interno Bruto de 27 das 30 maiores economias do continente cresceu nos últimos anos.