AIEA aguarda decisão de Trump sobre pacto nuclear com Irã

A Agência Internacional de Energia Atômica afirmou que não há atividades nucleares no Irã, contrariando o posicionamento de Israel, apoiado pelos EUA

Viena – A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) está à espera nesta terça-feira do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre se retira ou não seu país do pacto nuclear com o Irã, apesar de afirmar que Teerã cumpre com o que foi estipulado.

Quanto à postura oficial da AIEA com relação a este assunto, “por enquanto, não há novas informações desde o manifestado no comunicado de primeiro de maio”, indicou à Agência Efe hoje em Viena uma fonte do organismo, que pediu anonimato.

A fonte se referiu ao comunicado de imprensa de 1 de maio, no qual a AIEA reagiu às recentes revelações sobre um suposto programa nuclear militar iraniano, apresentado na véspera desse dia em Tel Aviv pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Na nota, o porta-voz da AIEA, Frederik Dahl, lembrou a análise final apresentada em dezembro de 2015 pelo diretor-geral da organização, Yukia Amano, sobre as questões passadas e presentes que estavam pendentes do programa nuclear iraniano.

A conclusão dos analistas foi que não havia “indícios críveis de atividades no Irã relevantes para o desenvolvimento de explosivos nucleares depois de 2009”.

“Baseado neste relatório do diretor-geral, a Junta de Governadores (o órgão executivo da AIEA) declarou que sua consideração neste assunto estavam encerradas”, lembrou Dahl.

No entanto, Netanyahu questionou essas conclusões agora, ao apresentar, em 30 de abril em Tel Aviv, suas supostas novas revelações.

A fonte consultada nesta terça-feira pela Efe não quis informar se a AIEA recebeu alguma informação desde Israel que mude a convicção dos analistas de que o Irã cumpre com o estipulado.

O AIEA é o órgão encarregado de vigiar que Teerã cumpra com o acordo conhecido como Plano Integral de Ação Conjunta (JCPOA), assinado em 2015 pela República Islâmica e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha).

No documento, Teerã se compromete, em troca da suspensão das sanções internacionais que minavam sua economia, a reduzir de forma substancial – embora temporária – o potencial e alcance de seu programa nuclear a fim de garantir que não vai fabricar uma bomba atômica.