Agência europeia afirma ter identificado cepa da bactéria

Apesar de determinarem o agente causador, os resultados das análises não chegaram à fonte do surto epidêmico, que continua sendo investigada

Frankfurt – A agência europeia de segurança alimentar anunciou nesta quinta-feira ter identificado a cepa da bactéria letal E.coli, que provocou 18 mortes na Europa, a maioria delas na Alemanha.

“Os resultados das análises de laboratório determinaram o agente causador”, afirma um comunicado da agência, que confirma que uma cepa muito rara originou a epidemia.

A agência informou, no entanto, que a fonte do surto epidêmico continua sendo investigada, mas reiterou que a bactéria mortal se propagou através de alimentos contaminados na Alemanha.

A bactéria E.coli entero-hemorrágica provocou a hospitalização de mais de 1.000 pessoas e a morte de 18.

A Comissão Europeia suspendeu na quarta-feira o alerta sanitário decretado contra os pepinos espanhóis após uma denúncia equivocada das autoridades de Hamburgo (norte da Alemanha) sobre uma relação entre estes produtos e o surto mortal da bactéria E.coli.

A confirmação de que os pepinos espanhóis não estão na raiz do problema aumentou a discórdia na Europa. Madri exigiu compensações pelo “clamoroso erro” da Alemanha, que atribuiu sua origem a produtos espanhóis, enquanto a Rússia proibiu a importação de verduras europeias.

“Ficou claro com as análises feitas pela Agência Espanhola de Segurança Alimentar que não há a mínima suspeita de que a origem desta infecção tão grave venha de um produto espanhol”, declarou nesta quinta-feira o chefe de governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.

Depois de mencionar “um erro clamoroso das autoridades alemãs”, Zapatero disse que “o governo federal alemão deve saber que tem a responsabilidade global frente a outros Estados na Europa.”

“Vamos pedir explicações muito contundentes e desde já vamos exigir as reparações necessárias” pelos danos causados, acrescentou.


Os produtores de frutas e verduras espanhóis, maiores exportadores da Europa, registraram nos últimos dias uma queda em suas vendas devido ao medo que tomou conta da Europa relativo aos produtos provenientes da Espanha.

No momento em que Holanda e Alemanha também pediam ajuda para a sua agricultura, a Rússia proibiu a importação de verduras europeias.

“A proibição de importar verduras frescas de todos os países da UE entrou em vigor esta manhã” (quinta-feira), disse o chefe da agência russa de proteção ao consumidor, Guenadi Onichenko, citado pela Interfax.

As verduras que já tinham sido importadas da União Europeia “serão recolhidas em toda a Rússia”, acrescentou.

“Peço às pessoas que não consumam verduras importadas, optando pelos produtos locais”, afirmou.

A Comissão Europeia pediu explicações à Rússia por sua decisão “desproporcional” de proibir as importações de verduras da União Europeia (UE).

“A Comissão vai escrever às autoridades russas para pedir explicações. Isso representa entre 3 e 4 bilhões de euros de produtos europeus exportados por ano”, disse Frederic Vincent, porta-voz de saúde da Comissão, referindo-se à decisão russa.

Os médicos lutavam para deter o avanço da bactéria encontrada em hortaliças cruas. Já foram registrados casos na Alemanha, (2.000 nesta quinta, 500 a mais que na quarta), no restante da Europa e, inclusive, nos Estados Unidos. Todos os doentes passaram pela Alemanha.

Os primeiros sete casos de bactéria E.coli entero-hemorrágica (ECEH) foram anunciados pelo Reino Unido, todos relacionados com a Alemanha, anunciou nesta quinta-feira a Agência de Proteção Sanitária (HPA) britânica.

Três infectados são britânicos que viajaram recentemente para a Alemanha e os outros quatro são cidadãos alemães, indicou a HPA.