Afrodescendentes defendem Parlamento próprio nas Nações Unidas

A cúpula, que acontecerá até o próximo domingo, reúne 700 pessoas de cerca de 20 países de América, África, Europa e Ásia

Tegucigalpa – Os delegados da 1ª Cúpula Mundial de Afrodescendentes, que começou nesta quinta-feira em Honduras, defenderam a criação de um Parlamento para essa comunidade nas Nações Unidas, o que foi respaldado pelo presidente anfitrião, Porfirio Lobo.

O governante hondurenho afirmou que é justo que os afrodescendentes tenham um fórum permanente não apenas na ONU, mas em outras instâncias internacionais.

A cúpula, que acontecerá até o próximo domingo, reúne 700 pessoas de cerca de 20 países de América, África, Europa e Ásia, e concentrará seus debates nos problemas de educação, saúde, nutrição, justiça e propriedade da terra.

Entre outros convidados, estavam o presidente da Guatemala, Álvaro Colom, e o vice-presidente da Costa Rica, Alfio Piva, assim como representantes da ONU e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Nos discursos todos concordaram em rejeitar a discriminação racial e pediram ações concretas para os povos afrodescendentes, que só na América Latina e no Caribe representam uma população de mais de 150 milhões de pessoas.

“Para mim qualquer tipo de discriminação é inaceitável”, ressaltou o presidente hondurenho, prometendo que seu Governo lutará para que os direitos de seus compatriotas afrodescendentes sejam “restituídos plenamente”.

O presidente da Guatemala expressou, por sua parte, que “é preciso um compromisso sério para erradicar definitivamente todo tipo de discriminação”.

“Trazemos uma mensagem de amor e de esperança com a qual, inspirados no espírito de liberdade de Nelson Mandela e nos sonhos de Martin Luther King, pretendemos gerar uma consciência universal sobre a importância de nossos irmãos afrodescendentes”, acrescentou o vice-presidente da Costa Rica. 


O secretário-geral da cúpula e presidente da Organização de Desenvolvimento Étnico Comunitário (ODECO), Céleo Álvarez, advoga pela criação de um Parlamento Afrodescendente na ONU, começando pelos países centro-americanos com uma representação no Sistema de Integração Centro-Americana (Sica).

Outra iniciativa que será discutida é a criação de um Fundo de Desenvolvimento Integral Sustentável, com identidade para seus povos, inclusive os indígenas.