Acordos comerciais;tornam o Chile mais competitivo que o Brasil

Tratados de livre comércio, como os assinados com a União Européia e com os Estados Unidos, colocam os chilenos em vantagem na disputa pela atração por investimentos estrangeiros

Os acordos de livre comércio assinados pelo Chile com europeus e americanos são um trunfo inegável na disputa pela atração de investimentos estrangeiros para o país. Além de aumentar a inserção de seus próprios produtos no comércio internacional, o Chile também está se tornando cada vez mais atraente aos olhos de companhias multinacionais que podem transformar o país em um pólo de exportação para outras regiões, aproveitando as preferências tarifárias obtidas pelos tratados comerciais.

“Atrair investimentos estrangeiros é o próximo passo da estratégia chilena para aumentar as exportações”, afirma Ricardo Camargo Mendes, diretor-adjunto da Prospectiva, consultoria especializada em comércio exterior. O sucesso do país em conquistar recursos estrangeiros pode ser medida por dados concretos. Um deles é o potencial de atração de investimentos estrangeiros, elaborado desde 1988 pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), a partir da análise de 140 países.

Em 1988, a disputa entre brasileiros e chilenos pelos investimentos estrangeiros estava mais equilibrada. Enquanto a Venezuela liderava a lista dos países sul-americanos, ocupando a 37ª posição no ranking dos países com maior potencial para atrair recursos, o Chile vinha em segundo lugar, na 41ª posição, e o Brasil, em terceiro, no 48º lugar. Dez anos depois, os chilenos já encabeçavam a lista dos sul-americanos, ocupando o 44º lugar, enquanto o Brasil despencava para uma distante quarta posição, em 70º lugar na lista geral.

Segundo os dados mais recentes, o Brasil voltou a ser o segundo país da América do Sul mais atraente para o capital estrangeiro no ano de 2002. O problema é que a distância entre o país e o Chile encurtou pouco. Enquanto os chilenos permanecem na liderança da região, como o 48º país em atratividade, os brasileiros estão longínquos 20 postos abaixo, na 68ª posição. De acordo com outro estudo da Unctad, divulgado em 2004, o Chile é o país latino-americano com maior potencial para atrair recursos estrangeiros, seguido pelo México. Esses dois países mantêm uma razoável lista de tratados comerciais (veja tabela abaixo).

Tratados comerciais

Desde 1º de janeiro de 2004, quando entrou em vigor o Acordo de Livre Comércio com os Estados Unidos, 87% das exportações chilenas para os americanos foram imediatamente beneficiadas com tarifa zero. Até 2008, a porcentagem deve subir para 95%. Os benefícios para os americanos foram um pouco maiores. O acordo liberou, de imediato, 88,5% das exportações dos Estados Unidos para o Chile. No setor industrial, a liberação alcançou 89,8%.

No caso do acordo assinado com a União Européia, foram beneficiados 85,1% das exportações chilenas, desde o início de sua vigência, em 2002. Até 2012, o tratado prevê que a liberalização alcance 99,7% das transações. “Sem dúvida, esses acordos ajudam o Chile a atrair mais e melhores investimentos que o Brasil”, afirma Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Perda de competitividade

É claro que os acordos internacionais assinados pelo Chile não são o único motivo de o país estar à frente do Brasil no potencial de atração de investimentos estrangeiros. A economia estável, os juros baixos, o nível de instrução de sua mão-de-obra, a pequena burocracia, a estrutura tributária mais simples são alguns fatores que também pesam a favor de nossos vizinhos.

Os acordos assinados recentemente pelo Chile atrapalham o Brasil também de outra forma: nossas exportações estão perdendo a competitividade no mercado chileno, diante dos produtos americanos ou europeus. “Esses tratados estão corroendo as margens de preferência que o Brasil possuía no Chile”, afirma Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Um estudo divulgado pelo seu escritório, o Rubens Barbosa & Associados, mostra que o país deve ser um dos mais prejudicados no comércio bilateral com o Chile. De 70 produtos pesquisados, a margem de preferência (que mede a concessão de benefícios para importação) atingia 96,3% deles, quando oriundos dos Estados Unidos. Se a importação parte do Brasil, a margem cai para 68,5%.

Brasil fica atrás em número de acordos
firmados
Tipo de acordo
Brasil
Chile
México
Multilateral
GATT/OMC
GATT/OMC
GATT/OMC
Acordos parciais regionais
Aladi
Aladi
Aladi
União aduaneira
Mercosul
Complementação econômica e preferência comercial
CAN, Bolívia, Chile, Índia e México
Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, União Européia,
Mercosul e Venezuela
Mercosul, Brasil, Panamá e Uruguai
Acordos de livre comércio
Canadá, América Central, União Européia, Coréia do Sul,
EFTA, México e Estados Unidos
Nafta, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Chile, Costa Rica,
EFTA, União Européia, Israel, Nicarágua, Honduras, Guatemala, El Salvador,
Uruguai e Japão
Fonte: Prospectiva