Acordo de florestas esnoba setor privado, dizem investidores

Acordo estabelece regras para projetos de financiamento para proteger florestas em nações em desenvolvimento

Londres – Um acordo internacional que estabelece regras para projetos de financiamento para proteger florestas em nações em desenvolvimento não contempla o setor privado, disseram dois grupos de investidores, alertando que sem envolvimento corporativo o programa irá fracassar.

O acordo de financiamento “baseado em resultados” para Redução de Emissões de Desflorestamento e Degradação de Florestas, apelidado de Esboço Varsóvia para REDD+, foi uma das poucas conquistas das conversas de novembro na Polônia, patrocinadas pela Organização das Nações Unidas.

As reuniões anuais têm a tarefa de delinear um novo tratado global para combater a mudança climática, e os patrocinadores do REDD+ dizem que um mercado para créditos de carbono, gerado por projetos que cortam as emissões de gás estufa reduzindo o desflorestamento, é crucial para qualquer pacto.

Mas a Associação Internacional de Comércio de Emissões (Ieta, na sigla em inglês) e a Associação de Mercados e Investimento Climático (CMIA, na sigla em inglês), os maiores grupos lobistas representando empresas envolvidas no mercado de carbono, disseram que o esboço não deixa claro o papel do setor privado em qualquer futuro sistema REDD+.

Os grupos ainda afirmaram que o documento não reconhece as ações anteriores pelo setor, de empresas como a brasileira Natura Cosméticos, que no ano passado investiu na contenção do desflorestamento na Amazônia comprando créditos REDD+.

“Sem o setor privado, não atingiremos as metas estabelecidas pelo REDD+”, disseram Ieta e CMIA em um comunicado conjunto divulgado nesta sexta-feira.


Os grupos argumentam que, além de financiar o REDD+, o setor privado também é necessário para treinar especialistas, garantir atividades comerciais e desenvolver tecnologias.

Eles querem o reconhecimento governamental de que os créditos do REDD+ serão contados como esforços de redução de emissões em um novo tratado climático, marcado para ser acordado no ano que vem, e que as ações anteriores das empresas também sejam reconhecidas.

Grupos ambientalistas afirmaram que as empresas que pretendem trabalhar para a redução do desflorestamento através do REDD+ não estão se concentrando nos temas certos.

“Para lidar com o desflorestamento precisamos tratar do que o motiva, como o consumo desenfreado de commodities essenciais, má administração de nações com florestas e a ausência de direitos dos povos das florestas sobre suas terras”, disse Hannah Mowat, da Rede de Recursos e Florestas da União Europeia (Fern, na sigla em inglês).

“A menos que lidemos com essas coisas, quantidade nenhuma de financiamento privado irá ajudar a manter as florestas de pé”.

A maior parte do financiamento do REDD+ até o momento veio de governos, principalmente porque as regras do programa não estavam mais que rascunhadas desde 2005.

A Noruega assinou acordos bilaterais avaliados em 1,4 bilhão de dólares com nações como Brasil, República Democrática do Congo, Guiana e Indonésia. A Grã-Bretanha, a Noruega e os Estados Unidos alocaram 280 milhões de dólares para um fundo do Banco Mundial que opera projetos REDD+.