Ação da Otan terá efeitos colaterais mínimos, diz general

Comandante da operação na Líbia disse que prioridade da aliança é proteger os civis de ataques

Roma – O tenente-general canadense Charles Bouchard, responsável pelas operações da Otan na Líbia, afirmou nesta segunda-feira que “cada ação da Aliança Atlântica será conduzida de forma que os efeitos colaterais sejam mínimos” para fazer cumprir a resolução 1973 da ONU no país africano.

Bouchard concedeu esta declaração em entrevista coletiva realizada em Nápoles (sul da Itália), um dia depois de a Otan ter assumido o controle militar de todas as operações militares na Líbia.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), já havia, na quinta-feira passada, acertado ficar com o controle da manutenção da zona de exclusão aérea, e antes tinha assumido fiscalizar, por meio de uma operação naval, o cumprimento do embargo de armas.

“Nosso objetivo é ajudar e proteger os civis dos ataques ou de ameaças de ataques”, disse Bouchard.

O tenente-general da aeronáutica canadense ressaltou que “a Otan está pronta para cumprir estes objetivos com todos os meios consentidos, por vias marítima e aérea”, mas se negou a dar detalhes das “regras de compromisso” sob as quais atuam as tropas da Aliança Atlântica.

“Não as discutimos, não damos detalhes”, acrescentou Bouchard, nomeado no último dia 25 para dirigir as operações militares da Otan.

Segundo o general, os aliados atuam “para prevenir e ajudar na prevenção de ataques contra a população civil em áreas muito povoadas.

“Cada ação será conduzida de forma que os efeitos colaterais sejam mínimos, garantindo ao mesmo tempo que seja observada a máxima segurança”, afirmou.

Bouchard lembrou que ontem os aviões da Otan completaram sua primeira missão de patrulhamento da zona de exclusão, e insistiu várias vezes que a missão da Aliança Atlântica e de seus aliados “é proteger os civis e os centros de população sob ameaça”.

As forças da Aliança “atuarão em coordenação estreita com parceiros da região e internacionais para proteger a Líbia”, enfatizou o general canadense em Nápoles, de onde comanda as ações militares no país norte-africano.

Os 28 países-membros da Otan estão “envolvidos nesta missão, e somos favoráveis a intervenções de parceiros internacionais e locais”, disse, sem esclarecer se países pertencentes à Liga Árabe poderão participar.

“Quanto maior é o compromisso, mais potente é a mensagem enviada à população líbia, que necessita desesperadamente de nossa ajuda”, limitou-se a afirmar.

A Aliança espera ter o controle total das operações que ocorrem na Líbia “dentro de poucos dias”, explicou a porta-voz da organização, Oana Lungescu.

“A transição está em curso. Os países estão alocando recursos às autoridades da Otan enquanto falamos, mas essa transição não é instantânea”, disse Lungescu em entrevista coletiva em Bruxelas.

Fontes da Aliança calculam que para quinta-feira poderá se dizer que todas as ações internacionais na Líbia estarão sob comando aliado, fazendo efetiva a decisão adotada ontem pelo Conselho Atlântico, o principal órgão de decisão da Otan.

O militar canadense abordou também a transferência do comando militar da coalizão de países à Otan que, segundo ele, “aconteceu sem interrupção e sem fendas”.